A Farsa de Costa e Centeno

Portugal, efectivamente, não aprende. Continuamos com os mesmos tiques provincianos de outrora, basta elegermos alguém para um lugar de renome que a crista levanta, somos logo especiais, os melhores do Mundo, um País sagrado e mítico no meio de outros 185 Países que não tem a mesma sorte, mal deles que não tiveram 3 bancarrotas em 43 de democracia, nós somos mesmo muito à frente, não damos hipóteses. Digo e volto a dizer e, se for preciso, repito para futuro, o Programa da Troika executado por Passos Coelho “limpou” o País de grosso modo, deixou a economia a crescer, cometeu erros mas fez o essencial que mais ninguém teve a coragem de fazer, executou um programa impopular que necessitava alguém com espírito de sacrifício. Portugal, ai sim, é um caso especial, porque tentar reformar um País com uma cultura imensamente socialista e com diversos interesses instalados são poucos que tem coragem, Passos teve, e a eleição de Centeno vem do excelente trabalho de Passos, Vitor Gaspar e Álvaro Santos Pereira que Paulo Portas quis ver pelas costas.

A reputação de Portugal nos mercados e nas instituições aumentou de forma exponencial, Centeno que agradeça a quem reduziu o défice nominalmente de -11% em 2010 para -2,98% em 2015. O Mário, Presidente do Eurogrupo, diminuiu o défice de -2,98% para -1,2 ou -1,3% este ano e já se acha o Herói da Cocada preta. Isto não é assim tão linear caro Mário, primeiro, porque a redução do défice estrutural não existe, repito, NÃO EXISTE. O défice reduz-se pelo efeito positivo do ciclo económico que nada tem a haver com o Governo, com poupanças em juros e cortes de despesa pública feitos de modo transversal, não reformando estruturas nem poupando de modo permanente, falando para Português ver. Não esquecendo da contribuição da receita que está em máximos históricos, dito por outras palavras, o saque aos agentes económicos continua. Mas a redistribuição da austeridade do lado da receita é perigosa, em termos “liberais”, de facto aumentar a austeridade do lado da receita dos impostos indirectos é melhor, pois o “roubo” não incide directamente nos nossos rendimentos mas, não nos podemos esquecer disto, aumentar impostos indirectos e diminuir de forma franzina os directos(IRS como exemplo) implica termos cobrança fiscal muito mais incerta em tempos de ciclo económico diferente deste, ou seja, em recessão.

Portugal só sai da situação em que está há anos com sentido de compromisso com os três partidos, PS, PSD e CDS juntos para pactos de reforma. Como sempre isto é num País normal, de políticos normais e com um povo normal, como estamos no País dos mexilhões e da ameijoa esqueçam, vamos cair noutro desastre, não falta muito, com o Centeno do Eurogrupo a ralhar no Sem Tino Português. É a vida Mário, aguenta-te!

Como a vida também é números vamos a eles, vamos ver a contribuição do actual Presidente do Eurogrupo para a dívida pública. E vou desmascarar um mitos engraçados. Vamos a isso:

dp
Fonte: BdP Stats, dívida pública evolução mensal.

Ora, o Tio Mário e o Tio Costa assumiram os comandos do País no triste mês de Novembro de 2015. A dívida pública em tal mês e ano estava nos 231,591 mil milhões de euros, passados 1 ano e 10 meses em termos estatísticos, de quadro, ou seja, até Outubro de 2017, temos uma dívida pública de 245, 269 mil milhões de euros. Ora, o grande sucesso do novo Presidente do Eurogrupo foi um aumento líquido consolidado de 13,67 mil milhões de euros, menos que os 19 mil milhões de outrora mas o acumulado é e continua a ser grande.

Passemos a ver como a dívida desceu em Outubro e Setembro de 2017:

debt image.png
Fonte: BDP Stats online.

Ora, não ficando os caros leitores assustados com os gráficos vamos à explicação simples e corriqueira da coisa. Começando no Gráfico 1, marquei a pretos três barras, na vertical para definir o começo do governo Costa e as oblíquas para definir a tendência do gráfico da dívida na óptica de Maastricht(dívida pública…), que neste caso tem uma tendência positiva, ou seja de crescimento da dívida. No gráfico dois vemos como se faz a composição da variação da dívida, ou seja, o que faz descer a mesma. A dívida pública, de modo rápido, é constituída por Títulos de dívida(bilhetes e obrigações do tesouro) e empréstimos(Como o dinheiro do resgate de troika por exemplo).

Ora em Set. e Out. de 2017, no gráfico 2 vemos que o Governo somente pagou reembolsos de dívida a nível dos títulos e empréstimos e fez a dívida descer, mas, atenção, não é uma queda que vem de algo que é gerado de “fluxos de caixa” falando de modo simples ou que venha de superávites orçamentais, vem sim da almofada financeira, dívida que o próprio Estado contraiu, dito por outras palavras, é dívida a pagar a própria dívida. Assim podemos verificar no gráfico 1 em que a dívida líquida de depósitos do Estado aumentou.

Resumindo e concluindo, a dívida pública este ano pode diminuir em percentagem do PIB, mas, ao mesmo tempo aumentar em dinheiro. Vamos a uma simples conta. Imaginem um País com um PIB de 100.000 mil milhões de euros. Uma dívida pública de 50.000 mil milhões. Dividindo 50/100 temos 0,5% ou seja uma dívida de 50% do PIB, um rácio portanto. Imaginem que o PIB cresce para 110.000 mil milhões(10% de aumento), e a dívida aumenta de 50.000 para 52.000 milhões, dividindo 52/110 temos um rácio de dívida de 47% aproximadamente.

É isto que está a acontecer, a economia cresce mais que a dívida e absorve o aumento. Mas como não fazemos reformas, deixamos andar, e o défice está controlado por arames, ainda vamos ter outro Upa Upa na nossa dívida. A culpa… Meus senhores a CULPA É DE PASSOS COELHO, não é Costa? Não é Centeno?

Acho que fiz o meu dever de cidadão independente ao alertar para isto como o Camilo Lourenço avisa, o Professor Sarmento no Eco avisa, a minha amiga e escritora no Blasfémias e aqui no PortugalGate Cristina Miranda avisa igualmente. Mas poucos ouvem… É a bebedeira, dizem…

Mauro Oliveira Pires

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3 comentários em “A Farsa de Costa e Centeno

  1. Bem és mesmo ignorante. O perigo é que a ignorância é contagiosa… O programa de Passos arruinou o país e levou portugueses a sair da sua terra e outros a cometer suicídios. Foi um falhanço e um exagero assumido pelos próprios alemães que o nosso executivoseco servia. Não fazendo uma almofada económica (como ele nos vendia a coisa) e arrecadando dinheiro nos cofres do estado que se ajuda na economia de um país. Isso aprende-se logo nas fazes formativas de introdução à economia. Mauro, respeitando o direito à opinião acho triste que não tenhas objetividade para irrigar a parte do cérebro que considera as soluções efetivas e reconhecidas pela maioria dos estados que elegeram Centeno, como sendo soluções à falta de humanidade protagonizada pelo Passos e a sua corporotocrata vendida Albuquerque. Soluções que eles nos diziam inexistentes…

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