A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS GANANCIOSOS

Quando se acusa de ganância aqueles que financiam os desvarios idílicos dos nossos governantes, assola a muitos de nós, a imagem do Mr. Scrooge, esse usurário avarento do conto de Natal de Charles Dickens “A Christmas Carol”.

Raramente nos ocorre que aqueles que financiam o Estado, adquirindo obrigações do tesouro, certificados de aforro, etc. são pessoas comuns que acreditam que aplicar a sua poupança num produto financeiro do estado português é acautelar o seu futuro sem correr riscos.

Raramente nos ocorre que parte significativa do Fundo de Estabilização da Segurança Social, cerca de 2/3, está aplicado em títulos da dívida pública,  e é desse rendimento que parte significativa das pensões são pagas – de sobrevivência, dos sistemas contributivos de reforma e também das subvenções a ex-titulares de cargos políticos.

Raramente nos ocorre que quer os subscritores do retalho de dívida pública, quer a segurança Social, são os elos mais fracos do sistema que alimenta a voraz necessidade financeira do estado. Os primeiros por iliteracia financeira, os segundos por inércia, todos por aversão ao risco.

Raramente nos ocorre que quem aplica as suas poupanças para financiar o modo de vida perdulário do Estado são pessoas que abdicaram de consumir a totalidade do seu rendimento- e fizeram-no a pensar no futuro, precavendo os dias em que poderiam ter menos rendimento.

Raramente nos ocorre que essas pessoas, ou os fundos que gerem os rendimentos que elas consignam, merecem maximizar o rendimento que esse sacrifício deve gerar.

Quando se acusa de ganância os mercados que adquirem a dívida pública portuguesa está-se a desrespeitar o esforço daqueles que acumularam o capital para precaver a sua situação pessoal futura e que estão disponíveis para o ceder, temporariamente, ao Estado para que este possa prosseguir as suas miraculosas funções.

Quando se acusa de ganância alguém que exige que seja devidamente recompensada a aplicação do seu capital, acumulado ao longo de uma vida de opções em que se absteve de o gastar, está-se a ser estúpido. E está-se a ofender a generalidade das pessoas que foram educadas de acordo com os bons princípios de que não se deve gastar mais do que o que se dispõe – exactamente ao contrário daquilo que o Estado recorrentemente faz.

No fundo, criticar a ganância dos mercados é criticar a poupança dos particulares – quando ela deveria se enaltecida!

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