O “incómodo pessimista” tem cada vez mais razão

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Tentar ser analista económico no País do “coitadinho” é difícil. Porquê? Porque essencialmente quando a bebedeira está no seu efeito máximo ninguém quer saber dos avisos à navegação e, normalmente, um povo que recebe constantes más notícias nos últimos 43 anos, devido a políticos que nem para limpar escadas servem, estamos sempre num ciclo de uns anos, poucos, de águas calmas para depois as consequências das políticas populistas do período calmo nos deitar numa espécie de poço, de onde temos sempre que sair à rasca, mas saímos. Nós, Portugal, somos isto, trabalhamos para sair do poço, nunca para detalhar, preparar e apresentar políticas de longo prazo. Os nossos “governantes” parecem aquelas crianças rabugentas que destroem os castelos de areia que tanto trabalho deu a construir.

O Homem que refiro em título como: ” O incómodo pessimista”, é Henrique Medina Carreira. Ainda não fez um ano da morte deste grande Senhor que era um dos poucos analistas da praça que não devia nada a ninguém, nem a partidos, nem a jotas nem a estruturas partidárias vigentes, como muito menos a devia alguma coisa a “aventais”, era um Homem livre e íntegro, característica simples mas ao mesmo tempo muito escassa no País do chico-espertimo. Medina falava, insistentemente, e muito bem, do Partido do Estado. Não temos que ter medo de falar disto, por mais que seja impopular, e nos acusem de separação de “classes”. O funcionalismo público é necessário, temos que ser pragmáticos, mas uma coisa é o funcionalismo público transformado em arma de arremesso de voto, como se fossem galinhas onde deitássemos o milho e elas bicavam, o problema é quem faz o milho, esses trabalham, levaram cortes de salários também, estão há anos com salários congelados igualmente e tem que trabalhar e gerar riqueza para uma classe que não representa a maioria da população activa, e que estes continuam a exigir salários mais elevados sabendo que recebem, em média, mais 500€ que um trabalhador do privado.

O Partido do Estado são os funcionários públicos? Sim! São as clientelas à volta? Sim! São determinadas empresas rentistas do regime que andam como abutres à volta do orçamento? Sim! São pensionistas da Caixa Geral de Aposentações em que muitos descontaram o mesmo que o trabalhador do privado e recebem mais? Sim! Agora, estes tem culpa por si só? Não! Quem tem culpa são todos da esquerda à direita que alimentam ilusões de um povo que só quer normalidade, mas que no meio de tanto pândego político não a conseguem encontrar. Pensar que um País aguenta sustentar um Estado monstruoso desrespeitando o pequeno empresário, o pequeno empreendimento, taxando, regulando e espezinhando com todo o conjunto de custos à sua volta, é de uma parolice imensa.

Vamos a contas:

despesas correntes e de capital.png
FONTE: PORDATA

Do que é a Despesa do Estado, que se subdivide em corrente e de capital, aqui só temos a corrente pelas suas categorias económicas(ou classificações económicas em economês). Como podemos verificar, a despesa com salários dos funcionários públicos, despesa com pessoal, é a rubrica com segundo maior peso que em 2016 atingiu os 20.880,9 mil milhões de euros, qualquer coisa como 25% da Despesa Efectiva(Corrente+Capital) do Estado e 26% da Despesa Corrente do Estado. É este o custo do funcionalismo de Estado, é este o custo de termos uma despesa que se está a tornar cada vez mais rígida. Se Costa satisfizer os desejos dos professores, os polícias também vão querer e vai tudo por arrasto. Quem paga? É o Zé meus caros, é o mesmo de sempre! Não é mexilhão é ameijoa, vamos lá mudar de designação.

Se a despesa corrente tem tendência a aumentar, seja com a reposição de salários e transferências correntes, as despesas de capital também vão ter que aumentar, nomeadamente o investimento público, inevitavelmente, pois os serviços estão pela hora da morte, e desorçamentar não é a melhor opção. Estamos a empurrar com a barriga um problema que se resolve com acordos entre os três principais partidos PSD, PS e CDS, mas isso é num País normal.

Os políticos portugueses não podem estar reféns de nenhuma classe ou lobby, mas isso é uma miragem, alguém que coloque os interesses do País acima dos interesses pessoais e partidários já não se fabricam, é pena que o único decente vai embora em Janeiro…

Mauro Pires

 

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