A GANÂNCIA DOS MERCADOS EM DETALHE

É nestes momentos de acalmia da turbulência do mercado financeiro que, as mentes brilhantes que apoiam a tomada de decisão dos nossos governantes, se devem preparar para a próxima etapa, que não tardará. E percebe-se facilmente que não tardará se se perceber porque existe acalmia… Se acha que os mercados acalmaram porque temos um chefe de governo genial capaz de agregar as esquerdas e de um ministro das finanças brilhante, ao nível de um CR7, desengane-se!

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Um excelso deputado da Nação, Paulo Sá, proferiu, no local em que mais desperdícios materiais e intelectuais ocorrem, a Assembleia da República, a seguinte frase:

“Será que alguém consegue garantir que o nosso país não será sujeito novamente a um ataque especulativo que agrave ainda mais o problema da dívida pública? Alguém consegue garantir que as taxas de juro praticadas pelos mercados não voltem a disparar, levando a um crescimento ainda maior da dívida? Não! Claro que não! Portugal continua hoje, tal como no passado, vulnerável aos caprichos dos mercados e à acção devastadora dos especuladores e agiotas.”

Trata-se de um conjunto de questões com interesse académico e, quem sabe, susceptíveis de motivar as mais variadas teses de mestrado e doutoramento em áreas diversas, mais na área da demência intelectual do que na área das finanças.

Quanto à primeira questão que preocupa este ilustre deputado, a de se saber se haverá um novo ataque especulativo que implique um aumento da taxa de juro da dívida portuguesa, caro Paulo Sá, camarada, isso é garantido: Faz parte da essência do mercado capitalista a avaliação do risco, o que implica a discriminação de preços e gera uma dinâmica especulativa no mercado secundário. Portanto, a única hipótese que temos de evitar essa ganância do mercado é a de conseguirmos um empréstimo emitido em bolívares venezuelanos, pesos cubanos ou wons norte-coreanos – a taxas de juro preferenciais… Mesmo assim, estou convicto que o financiamento obtido, daria apenas para manter a máquina do Estado somente durante alguns minutos e, portanto, essa solução teoricamente admissível, é um mero adiamento da confrontação a que estamos sujeitos sempre que temos de negociar com o mercado ganancioso.

É nestes momentos de acalmia da turbulência do mercado financeiro que, as mentes brilhantes que apoiam a tomada de decisão dos nossos governantes, se devem preparar para a próxima etapa, que não tardará. E percebe-se facilmente que não tardará se se perceber porque existe acalmia… Se acha que os mercados acalmaram porque temos um chefe de governo genial capaz de agregar as esquerdas e de um ministro das finanças brilhante, ao nível de um CR7, desengane-se! Os mercados acalmaram porque existe um esquema de “anestesia de mercado” – eu acho que é fraude, e escrevi sobre isso, em tempos  . Ora, o “anestesista” Draghi, reduziu recentemente o valor admissível de Quantitative Easing de 60 mil milhões de EUR por mês para 30

para ir desmamando os pacientes e anunciou que em Setembro de 2018, eles acabam. Não entremos já em pânico, mas assinalemos esta data nos nossos calendários. Digo porquê não tarda – se faz parte do mercado ganancioso e quer ganhar dinheiro a sério, continue a leitura!

Em síntese, quanto à primeira questão, a de se saber se vai haver um novo ataque especulativo, tenho más notícias para si: o “se” está a mais! Vai, vai haver e pode escrever a data: Outubro de 2018!

 

Entramos agora na segunda questão: a da garantia de que as taxas de juro não disparam.

O XX Governo de Portugal que antecedeu o actual quando terminou funções tinha a dívida pública, no montante de 226 mil milhões de EUR, assim titulada:

xx

Olhando para este quadro, percebe-se que existe zero de possibilidades de especulação com a taxa de juro da República Portuguesa. Aproximadamente 50% está em Obrigações do Tesouro de Taxa Fixa, 1/3 está contratualizado com o FMI o BCE e a CE, no âmbito do Programa de Assistência (PAEF), e uns gloriosos 5% está em Certificados de Aforro – subscrito por pequenos aforradores nacionais.

Decorridos 2 anos, com a acalmia social que a acção do XXI Governo gerou, nomeadamente com a reposição de direitos às elites nacionais, a situação melhorou espectacularmente, passando a dívida titulada de 226 para 245 mil milhões de EUR. Assim:

xxi

Para além do aumento de 19 mil milhões de EUR de dívida, em 2 anos, ou seja a dívida só aumenta mil EUR por ano a cada cidadão, há ainda a assinalar:

– A redução do financiamento ao FMI, cuja taxa de juro era de 4,3% e que foi substituída por OTTF a 4,175%, reduzindo-se assim (abençoado CR7), o custo da dívida em 0,125% de 10 mil milhões de EUR, o que dá exactamente 12,5 milhões de EUR de poupança, ou seja o equivalente a zero virgula zero do que custa manter a equipa de génios que nos governam – com todo o respeito, que isto é importante. 12,5 milhões de EUR é muito dinheiro, mas manter a equipa de génios que nos governa custa de facto muitíssimo mais – e nem poderia custar menos, porque, nestas coisas, o barato sai caro, de modo que estamos todos muito gratos por ter o XXI Governo a funcionar bem e a construir um futuro maravilhoso para nós e para os nossos filhos – claro que se pudessem reduzir o ritmo de endividamento a geração vindoura agradeceria, mas o importante é que continuem o vosso magnífico trabalho.

– O aumento das emissões de OTTF. Pois, teve de ser, não só para amortizar a dívida do FMI mas porque o Estado tem de se manter em funcionamento e o dinheiro não cai do céu…

– A redução dos certificados de Aforro – isto nem tem explicação e é muuuito estranho, primeiro porque este é um instrumento de aforro popular –  ora, tendo havido um aumento tão grande de reformas e de rendimentos dos cidadãos, seria de esperar um significativo acréscimo desta forma de poupança. Depois, porque não se percebe como é que há pessoas que não estão interessadas em aplicar dinheiro a zero por cento, como é o caso da última emissão deste irresistível produto que cito:

ANEXO
Certificados de Aforro — «Série E»
Ficha técnica
Valores e subscrição:
Valor nominal — € 1,00;
Mínimo de subscrição — 100 unidades;
Máximo por conta aforro — 250 000 unidades;
Mínimo por conta aforro — 100 unidades.
Prazo e juros:
Prazo — 10 anos;
Taxa de juro — soma da taxa base na data de início do trimestre com o prémio de permanência atribuível à subscrição.
Taxa base — determinada mensalmente no antepenúltimo dia útil do mês, para vigorar durante o mês seguinte, segundo a fórmula:
E3+1 %
em que E3 é a média dos valores da Euribor a três meses observados nos 10 dias úteis anteriores, sendo o resultado arredondado à terceira casa decimal.
Da aplicação da referida fórmula não pode resultar uma taxa base superior a 3,5 %, nem inferior a 0 %.

sendo que o primeiro juro, foi de exactamente zero, o que deixa antever uma ganância de mercado em subscrevê-lo. Aliás, pensando bem, esta nova fórmula dos Certificados de Aforro, ainda é mais vantajosa do que o empréstimo sindicado dos camaradas – cubanos, venezuelanos e norte-coreanos, porque eles são amigos, mas não são parvos e algum custo havia de ter, enquanto estes empréstimos que o CR7 lançou são totalmente grátis – e mais vantajosos do que as Deutsche Bonds porque estas devolvem ainda menos do que o que subscreveu, lá com as taxas negativas que aqueles gananciosos inventaram.

Nesta altura do campeonato, sabido que é que ninguém tem pachorra para ler textos com mais de 300 caracteres, já cá não deve haver ninguém, de modo que, a terminar vou dizer como ganhar dinheiro em Outubro de 2018. Simples, resgate tudo quanto é Certificados de Tesouro, porque as OTTF de 4,125% com maturidade em Abril de 2027 vão estar no mercado, mercado secundário, com descontos de 10%, propiciando taxas de juro implícitas adequadas ao nível de risco que uma economia grade junk como a nossa tem de propiciar.

E se isso irrita os que bradam contra a ganância dos mercados, contra os caprichos dos investidores, contra a acção devastadora dos especuladores e agiotas da finança, SIIIIM, SIIIIM, SIIIIIM: tanto melhor!

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