A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS “BODES”

vivendo Portugal num cenário de permanente necessidade de captação de poupanças no exterior durante os últimos 40 anos, ou, o que é a mesma coisa, durante os últimos 250 mil milhões de EUR impõe-se encontrar um “bode” de peso quer quanto à longevidade, e aqui a D.Merkel não cumpre, quer quanto ao carcanhol, falhando aqui miseravelmente o meu amigo de Vigo…

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Alguns dos mais agressivos defensores da intervenção keynesiana na economia, são, simultaneamente, os mais agastados sofredores da “ganância dos mercados”.

Uma pequeníssima minoria de pessoas ridiculariza essa contradição e outra, infinitesimalmente menor (eu e mais dois tipos) acha isso um exercício ilegítimo do “Direito à Estupidez” que deveria estar reservado, em Portugal, a um grupo restrito de iluminados.

E a maioria das pessoas?

A maioria, aplaude.

Porquê?

  • Porque o cidadão (eleitor) precisa de um inimigo!

Quanto mais poderoso, vago, intemporal e indefinido esse inimigo for, tanto melhor. Imaginemos que em vez de se eleger a “Ganância do Mercado” como culpada dos elevados juros que nós (nós, Estado Português) pagamos, se apontava a Senhora Angela Merkel (como alguns inexperientes tentaram)  ou o Senhor Ogando dos charutos de Vigo (deste ainda ninguém se lembrou, mas é só aqui chamado para efeito retórico)… que consequências teria? Simples: deixando a D. Merkel de ser a Chanceller da Alemanha, ou o Sr. Ogando de vender “puros” e esta elite pensadora teria de arranjar novos “bodes expiatórios”. Ora, vivendo Portugal num cenário de permanente necessidade de captação de poupanças no exterior durante os últimos 40 anos, ou, o que é a mesma coisa, durante os últimos 250 mil milhões de EUR impõe-se encontrar um “bode” de peso quer quanto à longevidade, e aqui a D.Merkel não cumpre, quer quanto ao carcanhol, falhando aqui miseravelmente o meu amigo de Vigo…
Acresce que temos planos fantásticos para fazer uma série de coisas maravilhosas no nosso país nos próximos 400 anos, pelo que o inimigo a eleger tem de ter as características supra-referidas: poderoso, vago, intemporal e indefinido. Em caso negativo desperdiçar-se-á tempo e energia a eleger “bodes” sucessivos, para além de desfocar o cidadão (eleitor) do “inimigo”: “A GANÂNCIA DO MERCADO!

  • Porque o cidadão (eleitor) é economicamente iletrado!

(É quase-estúpido, vá!)

Ele é capaz de acreditar que quando um investment broker exige nos leilões de dívida pública nacional um juro de 3% e abdica de aplicar o dinheiro do seu cliente a 2,785% (taxa de juro do último leilão)

ele está a ser ganancioso! Perdão, GANANCIOSO!

Porquê?

Porque raio de má-vontade?

Porque é que um profissional altamente remunerado, acha melhor negócio comprar bonds alemãs que pagam um juro negativo (hoje, MENOS 0,75% )
em vez de o aplicar em subscrição dos gloriosos Bilhetes do Tesouro Nacionais?
Que raio de GANÂNCIA motiva esse miserável “serventuário do ganancioso capitalismo financeiro e especulativo internacional” a preferir perder dinheiro em vez de ganhar?

Vamos deixar pousar esta dúvida e já voltamos à GANÂNCIA – que isto tem de ser desmontado aos bocadinhos, para se evitar o risco de pânico e implosão!

1 comentário em “A GANÂNCIA DOS MERCADOS E OS “BODES””

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