Continuamos a assobiar para o lado

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Um bom governante português, digo, o medíocre normal, é o mestre da encenação política. Tanto faz teatro que empurra com a barriga os problemas mais estruturais e importantes do País que, depois, com o arrebentar das bombas que empurram com a barriga, ainda ficam impressionados como as mesmas explodiram. Chama-se a isto, na gíria popular, lógica da batata. Ou seja, nós sabemos no que é que as nossas acções vão dar no futuro, mas mesmo assim insistimos nelas, depois, vamos à televisão damos uns sorrisos  cínicos , distribuímos umas flores e falamos de mais lógica da batata. Volto a insistir neste ponto que falo neste espaço há meses: Temos que começar a falar, a discutir e a resolver o essencial, mas neste momento ninguém está interessado nisso.

O arranjo Governamental de 2015, vulgo Geringonça, eu chamo mixórdia Governamental, colocou nos nesse modo, apáticos, só festejamos a boa conjuntura que nos afecta a nível externo e que nos coloca, ainda, à tona de nos afogarmos. Entretanto o nosso quadro económico, como gostam de dizer os economistas, macroeconómico, é mais Cascais digamos assim, continua a apresentar sinais preocupantes. Vejamos o seguinte gráfico da Taxa de Poupança dos particulares em Portugal comparando com a Zona Euro:

tx poup
FONTE: OCDE

Facilmente nos apercebemos que, em 16 anos, ou seja de 2000 a 2016, a nossa taxa de poupança sempre foi inferior à média dos Países do Euro, mas do ano 2000 a 2005 ainda estavam em valores “aceitáveis” digamos assim. A partir de 2014 a 2016, se a taxa de poupança em Portugal já era baixa, tornou-se ainda mais baixa e atingiu mínimos. O País que já teve, há mais de 40 anos, as mais altas taxas de poupança no Mundo, hoje é dos piores.

A poupança, para quem não anda nestas andanças económicas, é o pilar para o que é a criação do investimento interno de um País. Se a taxa de poupança é baixa, ou seja, os bancos emprestando os recursos que tem dos seus clientes à actividade económica tem menos espaço para o fazer, não podemos ter novo investimento, que aumente a produção instalada, no máximo, investe-se para renovação do capital já gasto, como máquinas por exemplo. Se o País, internamente, não consegue gerar investimento privado, por falta de poupança, pois é esta que “financia” o investimento, precisamos de Investimento Directo Estrangeiro.

Para atrairmos investimento de outros Países temos que não ser uma coisa que está no nosso ADN: Não podemos ser SOCIALISTAS! Quando uma empresa avalia um investimento em qualquer País tem que medir vários factores. Por exemplo, o que é que Portugal, hoje, é mais atractivo que vários Países de Leste a nível fiscal? Nós tínhamos uma Taxa de IRC a descer com a reforma do IRC aprovada pelo PSD-PS-CDS nos tempos da decência política, hoje, o doutor Costa rasgou acordos e a economia cresce devido ao turismo e à conjuntura internacional interessante. De resto, a nível interno, estamos de rastos. Se queremos crescer sustentadamente temos que ter três pilares na actuação e definição de políticas públicas: PREVISIBILIDADE, ESTABILIDADE E COERÊNCIA. 

Se estamos constantemente a inventar impostos e custos de contexto para as empresas no geral, vamos atrair investimento? A imprevisibilidade, constante, do nosso quadro fiscal ajuda em alguma coisa? Termos preços da energia dos mais elevados da Europa ajuda? As mudanças de Governo em que um faz uma coisa e outro faz outra não ajuda em nada também à decisão do investidor. Ou seja, de grosso modo não existe coerência no modo de actuação, parecemos um País com política de circo, quer dizer, somo o País com política de circo, interessa se mais com a distribuição do Pão sem efectivamente o criar.

Sem investimento de elevado valor acrescentado, digo, de grande volume monetário do investimento e o que vai ser o produto final e a sua rentabilização para as nossas exportações e Economia em geral, não vamos ter crescimento sustentável. Podemos crescer 2,8% este ano, mas de fogachos o Mundo está cheio. Manter este nível de crescimento por um bom período de tempo, isso sim era de ouro. Mas como gostamos de ser medíocres…

Só uma pergunta incómoda, algum político deste País, vou fazer excepção a um mas não digo o nome, tem algum PROJECTO DE REFORMA DE LONGO PRAZO para o País? Como se diz na Amadora: BOLA.

Mauro Pires

 

FOTO do Trio da Mixórdia: HenriCartoon 

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