Um Marcelo renovado ou entalado?

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Quando se olha para Marcelo Rebelo de Sousa pensamos tudo, especulamos tudo, mas no fim, não descodificamos nada, como sempre. O que Marcelo pensa poucos sabem, ele resguarda-se no seu manto de hiperatividade e olhar por vezes distante. Marcelo é da velha guarda, é uma raposa política altamente experiente, conhece todos os cantos à casa, sabe e conhece os ciclos políticos como nenhum comum mortal conhece. O ciclo em que vivemos é nos estranho, José Sócrates, em 2009, ganhou as eleições legislativas sem maioria absoluta, não se associou à esquerda, teve apoio parlamentar à direita para aprovar os seus orçamentos, a direita teve que aprovar tudo, teve que ter sentido de Estado e ser o fiel depositário do PS, o partido dono, parece que por sangue, do País.

Se em 2009 o PSD e o CDS tiveram uma votação conjunta de quase 40%, logo superior aos 36,5% de José Sócrates, não vimos a direita a dizer que tinha mais legitimidade parlamentar que os socialistas, podiam não ter maioria, mas em conjunto tinham mais deputados e enquanto centro ideológico estavam tambem mais representados que o centro esquerda. Quem ganhou as eleições governou, bem ou mal, neste caso pessimamente, porque depois passados 2 anos vimos os resultados da Governação Socrática.

Pedro Passos Coelho, já falei aqui muitas vezes e volto a repetir, não é a melhor coisa do Mundo, não é uma miragem no meio de tantos socialistas de esquerda e de direita, mas foi o homem certo no tempo certo. Soube colocar os interesses do País acima dos interesses partidários e acima de tudo o resto, salvou financeiramente o País e ainda teve em 2015 espaço para distribuir flores eleitorais. Ficou 2 anos a pregar no deserto contra um Governo que não foi eleito, mas que constitucionalmente é correcto mas que a nível ético é errado. Marcelo com Pedro Passos Coelho a governar não tinha muita margem de manobra, não podia ser Marcelo, interventivo, com jogadas de bastidores. Passos não aprecia isso, é recto, vertical faz o que tem a fazer, não gosta de manhas, como se diz na gíria. Com Costa a situação é outra, o Governo é fraco, depende de dois partidos radicais, um que ideologicamente no passado matou 100 milhões de pessoas em todo o Mundo, continuando ainda a matar, e outro que só pensa em medidas estéreis com 98% de conteúdo de lógica da batata.

O Diabo chegou há muito, e não se chama só António Costa, é toda uma frente de esquerda radical que quer continuar a manter o mesmo regime podre, de compadrio, de cunhas, do tio, do padrinho, das rendas excessivas dos oligarcas do regime e de todo o ambiente negativo envolvente que nos impede de crescer sustentadamente, criar mais emprego com salários mais elevados, enfim, um País decente que os Portugueses já mereciam faz 43 anos de democracia. Com a saída de Pedro Passos, gostem uns ou não, cai um pilar de seriedade, um pilar que Marcelo conseguiu deitar a abaixo.

A direita não perdoa a Marcelo a queda de Passos, e faz muito bem, a colagem de Marcelo a Costa foi táctica, permitiu ao Presidente hoje ter o poder informal que tem. Não é só constitucionalmente, o poder popular de Marcelo condiciona, hoje, qualquer manobra de António Costa. Marcelo quer ser popular, tem horror a situações onde é impopular, primeiro está Marcelo, depois o País e de seguida Costa. Primeiro, na óptica de Marcelo claro, está ele porque neste último ano de mandato a sua isenção e colagem a uma cor política foi evidente, não por gostar, mas por necessidade de poder. Em segundo o País porque Marcelo evidentemente ama Portugal como todos nós, e até se redimiu das suas declarações pós Pedrógão onde disse que se fez tudo o que tinha quer ser feito, na sua declaração ao País, a mais recente, foi exemplar, foi Presidente de todos, com pena minha espero que não seja tarde.

Se para o PS Marcelo passa agora a ser inimigo, tenho dúvidas disso, mas que o caldo começa a ficar quente é já um facto irrefutável. O jornal oficial do PS, Acção Socialista, chamou “Jumento”, “Jumento” à principal figura do Estado Português. Nós, cá entre nós, sabemos como funcionam os jornais dos partidos da esquerda à direita, o líder supremo de cada entidade socialista é que manda e dá directrizes, ou os seus trolls de serviço. Se para o Jornal, repito, oficial do PS, Marcelo é Jumento, para Costa também é. Se o disse na cara a Marcelo imagino que não, mas é mais uma demonstração tipo Palma de Maiorca, sempre que o cinto aperta, o caro António foge ou manda alguém falar o que pensa em seu lugar. Ter Marcelo como inimigo é perigoso, e Costa já levou o primeiro tiro, não morreu, mas está quase.

Marcelo já sugou quase tudo o que tinha a sugar de António Costa, encostou-se à esquerda, tem as mais altas taxas de popularidade de sempre, descolou-se, apesar de tarde, e numa futura bancarrota Marcelo dirá que apoiou Costa e fez tudo o que podia para evitar. Derrepente quem usurpa o poder fica sozinho. Será esse o fim de António Costa, sozinho e sem ninguém na política. Porquê? Porque vai nos dar o Tetra, o famoso Tetra para entrarmos no Guinness de uma vez por todas. Um País com a dívida pública e privada que temos, sem qualquer tipo de mudança de fundo e só gerindo a conjuntura só aqueles que disseram que em 2010 estava tudo bem é que hoje dizem o mesmo.

Não se esqueçam, em 15 dias o Mundo muda em Portugal, pode estar tudo igual no resto do Planeta, mas alguma coisa de diferente atinge sempre o casco da Caravela, vá se lá saber porquê…

Mauro Pires

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1 comentário em “Um Marcelo renovado ou entalado?”

  1. Tristeza! O povo não abre a pestana e continua “preso” a passados recentes e não enxerga o presente recente. O “agora”! Vai ser tarde de mais e mesmo assim não aprende com os erros presentes! Fica pobre, sem teres nem haveres. Perdem-se vidas… Mas ganham-se uns pataquitos a mais num SMN, e/ou nas reformas mais baixas, e não se vê mais nada do que isso. Aqueles que, em troca do seu esforço adquiriram direitos normais, são e continuam a ser ainda mais roubados, mas isso é normal para eles porque só sente isso quem trabalha e/ou trabalhou para isso! Pobre País quando seu povo não consegue ver, nem mesmo pensar por si só, nem mesmo ver o que está ali mesmo, patente debaixo do olho, para ir atrás de quimeras!

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