Feudalismo

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O país, pelo menos aquele que pôde dormir sossegado, acorda. Ainda as chamas, a hecatombe anunciada e como sempre evitável. O número de mortos triplicou em duas horas, e vai triplicar até ao impensável.

Bombeiros sem comida ou equipamentos pedem água através do Facebook. Condutores atropelam-se em contramão, matando grávidas. Um homem atravessa portagens que derretem, numa autoestrada que pagaremos em suaves PPP até 2040.

Ministros jantam, reúnem, viajam seguros. Um amigo faz Braga-Lisboa-Braga sem parar, por não haver transportes que tragam o filho à capital onde tem obrigações a cumprir. Ainda não sei nada dele no seu regresso a casa.

Cidades dotadas de moderna e europeia museologia interpretativa e decoradas rotundas, feitas por e para quem com elas comprou mais duas carcacinhas, ardem cercadas com os seus habitantes a debandar mato dentro, direitos ao Hades.

Um secretário de Estado aparece em directo. Dirige-se a uma audiência de milhões a quem tem sido dito há 40 anos que, desaprendendo a Natureza, dependam tranquilos de um monstro que lhes tira 50% da riqueza. Abre a hedionda boca e num segundo desdiz tudo aquilo que o socialismo prometera; as pessoas? não podem contar que haja meios, desembrulhem-se.

A ministra, que a meu ver só pode ter feito favores inesquecíveis a alguém, balbucia inanidades. O primeiro-ministro sorri, faz política partidária, escarnece dos jornalistas, apouca quem lhe paga as mordomias.

A tropa não depõe o Governo. Os eleitores talvez até o reelejam. Vinte euro de aumento mensal nos rendimentos de alguns (uma maioria colossal) a troco do esbulho a outros são quanto basta, e um dia bastará o pão, para comprar o esquecimento de gritos, terror, funerais e abandono posterior a bem da burocracia processual.

As televisões ofuscam a realidade. Mostram novelas, a bola e celebridades, sem fazer contas às audiências, muito menos ao dever de informar.

Um rapaz novo, administrador do site fogos.pt, apela no twitter à partilha de meios. Ajudo-o, são três da madrugada e está sozinho a gerir o único serviço que mostra as eclosões em tempo real e tem o site assoberbado. Leio que desapareceram aldeias em Vagos sem sabermos quem lá ficou.

Marcelo recalcitra nos afectos. No twitter perguntam-me como é possível a resignação apática, o pagamento de impostos, a conivência com este genocídio indirecto ano após ano. Respondo que em Portugal tratou-se diligentemente de imbecilizar três gerações através do marxismo cultural, de um ensino laxista, de subornos laborais e do medo. Medo de perder a doce ostentação, medo que caia a máscara, medo do espelho.

Renegar a nacionalidade, caçar os cortesãos, devolver aos senhores feudais as notas de €20 na ponta de uma forquilha. Mas e depois? Quando já ninguém sequer ousa pregar um prego sem autorização, como é que o povo iria comer? É melhor pedir a Nossa Senhora que isto não se repita e sempre pode ser que nos alcatroem a rua daqui por quatro anos.

País de merda.

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