O Desconforto de Portugal

Caro Carlos César, mui ilustre deputado da Nação,
Ouvi na TSF o seu sentido pesar pela conclusão do processo do Ministério Público relativo ao José Sócrates em que afirmou ser “desconfortável para Portugal que a inocência de José Sócrates esteja em causa“.

Permita-me que discorde:
– É óptimo para a imagem internacional de Portugal que o MP tenha tido a coragem de acusar um seu ex-primeiro-ministro de 3 crimes de corrupção. Actos destes permitem distanciar-nos daquele grupo de países, como Angola e Nigéria, cujo sistema judiciário é totalmente incapaz face aos cleptocratas locais.
– Refrear-se-á certamente, deste modo, o instinto predatório que políticos corruptos possuem.

Tomasse esses 2 aspectos em consideração e certamente o Carlos César, teria algum pudor, (pelo menos enquanto representante de eleitores, condição de que um deputado não se dissocia) em referir ser “desconfortável para Portugal”. Percebe-se a metáfora de utilizar a palavra “Portugal” (que não sente coisíssima nenhuma) como se se referisse ao sentimento partilhado pelos portugueses como um todo. Não se percebe é como chegou a essa conclusão!

Pois eu estou convencido que esse desconforto surge depois dos seguintes:
1º – sentirem que o Estado está cada vez mais povoado por gente corrupta;
2º – perceberem que o Estado impõe aos seus cidadãos, de forma crescente, sacrifícios fiscais inglórios – costumo usar “rouba” em vez de “impõe” quando estou em “casa”;
3º – verificarem que o Estado destrói cada vez mais os recursos privados, que são eficientemente utilizados, ao transferi-los para a sua esfera de acção, em que os mesmos recursos são ineficientes quando não, desperdiçados.
4º – constatarem que os servidores públicos se outorgam mordomias sem limite a eles próprios e às suas clientelas
….***
1.000º lugar pode ser aqui, então sim, “que a inocência de José Sócrates, esteja em causa”.

Com os melhores cumprimentos,
Fernando Sobrinho

….*** NOTA: dispenso-me de fazer uma listagem exaustiva porque quantos mais items incluir maior a probabilidade de errar.
…*** NOTA2: Para muitos portugueses, o emprego dos seus familiares (deles, dos familiares deles, não dos seus) vêem no topo da prioridade.

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