Não subestimem a Senhora Europa

Angela Merkel é a política mais experiente da Europa. 12 anos da alta pressão do poder, em vários contextos, calma e paz social 2005-2008, crise financeira Mundial 2007-2009, crise das dívidas soberanas da área do Euro 2010 até ao presente, crise Grega na sua fase mais aguda e mais populista com Tsipras e por fim, a crise dos refugiados. Merkel passou por isto e conheceu maior parte dos políticos da anterior e da actual geração, viu mortes políticas e nascimentos.

Merkel não entusiasma no discurso, pelo perfil alemão também não gostam, mas trás o que já Thatcher trouxe no seu tempo: O método cientifico aplicado à política. Sempre empírica, analisando todos os cenários envolventes com calma e frieza. Uma cobra venenosa que ataca quando todos menos esperam. É pragmática, faz o que tem a fazer pelo bem da sua sociedade bem como da Europeia.

A Chanceler Alemã pode ter tido o pior resultado de sempre em eleições para a chancelaria, mas ganhou e com 12 anos o desgaste já podia ser maior, não foi, não existe alternativa a Merkel na Alemanha. Suga todos à sua volta. Merkel formará governo, mais tarde ou mais cedo, num acto normal de democracia. Quem ganha governa, algo estranho num certo País do sul do futebol e das novelas.

Se Merkel foi a cola da Europa, mesmo que muitos chamassem o que lhe chamaram, Nazi por exemplo, a União Europeia resistiu contra grande parte dos analistas da praça. Levou a água ao seu moinho. Se hoje Costa adopta o discurso do “rigor”, “disciplina” ou seja palavras fofas para Austeridade deve-se a Merkel, pois hoje é quase consensual que temos que ter contas públicas saudáveis para a economia estar oleada e isso é claramente uma vitória de Merkel e do seu Ministro das Finanças  Wolfgang Schäuble, Ministro mais popular que a própria chanceler na própria Alemanha. Não esquecer a importância deste no percurso da Chanceler Alemã.

Se hoje temos somente 7 governos socialistas em 28 Estados da UE, o Socialismo tem que olhar para dentro. Só num micro clima Português é que ele resiste, mas por factores  explicáveis mas era necessário usar linguagem mais inapropriada, mas vamos começar e finalizar na educação escolar, no seu atraso e no marxismo escolar. Guardemos isto para outro dia.

Se já poucos na Europa acreditam no socialismo caviar e fala barato muito se deve à realidade, à famosa realidade que eles todos empurram com a barriga e depois a culpa é dos outros, da senhora Merkel, do senhor Schäuble e diabo a quatro. Secalhar a população não é assim tão nesga como os socialistas caviar pensam.

A Merkel agora cabe a árdua tarefa de juntar os que são verdes por fora e vermelhos por dentro, os Verdes, com os liberais. A senhora Europa já mostrou do que é capaz, já os comeu todos de cebolada, a tacada final pode estar próxima mas não é para ela, é para o socialismo de iphone.  Merkel não é um paraíso, mas é sinónimo de estabilidade, confiança e persistência. Se agora os Países do sul não se reformarem completamente  e deixarem de depender do dinheiro alheio não o fizerem, pelo menos no médio prazo, um Governo mais à defesa de Merkel pode ser muito mais intolerante em finanças públicas e repercutir-se nas políticas da UE. Ai senhor Costa, ou reforma ou vai de vela. Percebeu?

Uma notinha final. Os fofinhos canhotos há uns anos a senhora Merkel tinha chifres, agora tem asas de anjo. Sejam coerentes. Comprem uma espinha dorsal.

Mauro Pires

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