A dívida pública está a desmascarar o défice

António Costa e Centeno prometeram baixar a dívida pública, não cumpriram. Costa e Centeno prometeram consolidar as finanças públicas, não cumpriram. Resumindo, tudo o que era fulcral para a resolução dos problemas do País não foi atingido. Podem fazer propaganda aos sete ventos de uma vaca voadora em alta velocidade, mas não podem enganar todos por muito mais tempo. Uma coisa é enganar alguns por algum tempo, isso é possível, quando a poeira e a lama por debaixo do tapete já é tanta não há pivete que aguente e nem tapete, diga-se País.

Temos um problema gravíssimo de finanças públicas, a começar pela segurança social, ninguém quer saber o que interessa é sorrir e acenar e fazer sorrisos. Não interessa se somos um dos Países mais envelhecidos do Mundo, que cujas pensões são financiadas pelos activos que estão a descontar, não interessa que estes número de activos esteja a diminuir e logo as suas contribuições a médio e longo prazo, não interessa que o volume de pensões a pagar seja brutal daqui a alguns anos. Nada interessa a este governo. Também não interessa a este governo que os privados descontem o mesmo e tenha os mesmos anos de carreira de um funcionário público e este último receba mais, estes não tem culpa, mas a classe política que os enche de flores eleitorais é que tem culpa, porque no fim as rosas transformam-se em espinhos e todos pagam a campanha.

Temos uma despesa pública muito rígida, ou seja é difícil de cortar despesa pública em Portugal devido aos grupos de interesse à volta do orçamento. Depois temos Câmaras que fazem adjudicações directas, despesas faraónicas que voltaram depois da saída da troika, uma população com uma estrutura envelhecida logo com tendência a esta despesa aumentar no futuro, a função pública é sempre lugar dos votos dos socialistas tem que ser bem tratada e depois temos a despesa de capital onde temos o investimento público que cujo corte de despesa é sempre conjuntural e com os governos em Portugal tendem a aumentar. O único corte estrutural que se pode fazer na despesa pública a nível estrutural, que é no Estado, está sempre armadilhada. O caminho será sempre mais impostos, mais regulações, mais burocracia até à asfixia total, diminuindo ainda mais o nosso potencial de crescimento e elevando a nossa dívida pública a níveis gregos.

Não são acções de formação das “novas oportunidades”, dos fundos “estruturais” e das “habilidades” com a comunicação social que se reforma o País ou que o mudamos estruturalmente, é com espinha dorsal e mioleira. António Costa tem espinha dorsal? Por estes últimos 2 anos de governação não tem nenhuma. A começar pelas agências de rating, que maltratava na campanha eleitoral, e agora baixa as calças para as mesmas para ver se aumenta o rating do País. Ou dizia que reduzir o défice não era prioridade e era uma obcessão de Passos Coelho, e hoje é mais que uma prioridade nacional, é uma prioridade de sobrevivência para suster o seu governo. O que mudou Costa, ou melhor, a nova face de António Costa. Porque já sabemos que a antiga face está lá, mas não pode sair para fora.

Enquanto tudo está feliz, de Julho de 2016 a Julho de 2017, o défice mais baixo da história da democracia criou a dívida pública mais alta da democracia. No espaço de um ano, a dívida pública aumentou cerca de 9,1 mil milhões de euros coisa muito pouca, de 239,822 mil milhões de € para 249,084 mil milhões de €.  A dívida líquida também aumentou, cerca de 7,7 mil milhões de euros, ou seja, a dívida bruta líquida de depósitos leia-se “cofres cheios”, tendo aumentado de 221,806 mil milhões de euros para 229,379 mil milhões de euros. Agora vamos a contas, se temos o défice orçamental mais baixo de sempre, se temos um saldo orçamental primário(saldo orçamental excluindo o que se tem a pagar em juros), também a bater recordes e com o maior crescimento do século XXI no País, como é que a dívida ainda cresce? Todos estas variáveis macroeconómicas são factores de subida ou descida da dinâmica da dívida(mais alguns), e todos estes deviam estar a contribuir para a descida da mesma. O défice secalhar não está assim tão “limpinho”, quanto imaginamos. O défice de 2016 foi conseguido com diversos factores extraordinários, adiamentos de despesa, daí o estrangulamento dos hospitais e bombeiros sem viatura, cativações e nunca corte de despesa estrutural que surta efeito de longo prazo.

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Fonte: Banco de Portugal

 

A Comissão Europeia não quer deixar cair o País antes das eleições Alemãs, mas vai ter culpas no cartório, porque na táctica da cartilha do Costa, já estão as suas vítimas, e a Comissão é uma delas. Afinal, a culpa é sempre dos outros.

P.S: Num artigo recente, falei da Dívida externa que é soma da dívida pública(Estado) e da dívida privada(empresas e famílias), não confundir os dois termos.

 

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