Decorem este número: 726 mil milhões de euros

Desde Novembro de 2015 que em Portugal não se discute reformas, aliás, para o Supra-sumo do reino Costa estas fazem-lhe: ” Alergia”. O problema é que a alergia de Costa nos está a custar caro no presente e no futuro custar-nos-à muito mais caro. Não podemos lidar com assuntos económicos com “paninhos quentes”, a função de um governo, por mais que não se goste da sua existência, ainda é de ajudar na correcção dos desequilíbrios económicos, ou macroeconómicos, como dizem os fofinhos da praça.

Portugal sempre teve um problema na produção de bens neste caso no seu valor acrescentado. O fraco incremento tecnológico, a utilização de máquinas insuficiente e o insuficiente capital humano continuam a estrangular o potencial da economia portuguesa. O Estado português tem culpas tremendas no cartório, é só somar impostos e taxinhas que uma empresa tem que pagar, além de IRC`S, derramas municipais, aos impostos no gasóleo e gasolina(dos mais elevados da Europa), bem como dos preços da energia mais elevados da Europa igualmente. Com tantos custos de contexto, como os políticos portugueses continuam a dizer que temos de ser mais competitivos mas todos os anos continuam a aumentar esses mesmos custos? E ainda por cima com um sorriso cínico da cara.

Com um crescimento mais forte neste momento, não se perspectiva a sua continuação com todos os problemas estruturais que temos e o governo não faz nada para o aumentar, simplesmente navega e distribui, uma prática de Estadista diga-se… Só que a manta de retalhos já não chega e os pés já estão a descoberto. Desde de 2012 que Portugal tem uma balança corrente e de capital, ou seja, um registo que contabiliza as nossas relações económicos com o resto do mundo, o que entra e o que sai em divisas, é positivo. Este nosso excedente externo é fruto do trabalho heróico da iniciativa privada portuguesa e das antigas reformas governamentais, que apesar de insuficientes, continuam a mostrar resultados. Já vamos no 5 º ano de excedente externo. Isto é importante pois permite reduzir a nossa dívida externa que vá vai, como disse em título, em 726 mil milhões de euros coisa pouca só 385,9 % do PIB.

O problema é que em termos absolutos, a nossa dívida externa(pública+privada), está em máximos e a contrariar o movimento descendente de 2015. No final do primeiro semestre de 2017, o endividamento externo situou-se em 726,0 mil milhões de euros, dos quais 317,7 mil milhões referentes ao setor público e 408,3 mil milhões ao setor privado. Face ao final de 2016,  o endividamento externo aumentou 10,9 mil milhões de euros, dos quais 9,9 mil milhões de euros respeitavam ao setor público e 1,0 mil milhões de euros ao setor privado. Não está tudo bem meus senhores, estamos a voltar a crescer com base em dívida, o que nos levou à explosão financeira de 2011. Se queremos uma explosão de maior tamanho é só continuar com o mesmo caminho só não nos façam é de parvos.

A somar a isto, voltamos ao défice externo neste 1º semestre de 2017 com a nossa balança comercial de bens a tornar-se cada vez mais deficitária e nem o cada vez maior excedente da balança de serviços(turismo), a compensar as perdas. Nos primeiros seis meses do ano, as balanças corrente e de capital apresentaram um défice de 685
milhões de euros, o que compara com um défice  356 milhões de euros observado no primeiro semestre de 2016.  Já a balança comercial total(bens+ serviços), até Junho, a balança de bens e serviços registou um excedente de 713 milhões de euros, menos 412 milhões de euros do que no período homólogo.

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Fonte: Banco de Portugal

Como se pode ver no gráfico 1, o cenário vai mudar(o verão ajuda sempre) e vamos acabar o anos com excedente externo, mas a situação está se a deteriorar e sem políticas que promovam uma redução dos custos de contextos e que promovam aumentos de competitividade não podemos sair da serpa torta. A culpa não é só do governo que não mexe nem deixa mexer, é de um povo inerte que só quer fazer a sua vidinha e não grita mais alto contra a oligarquia que destrói o País.

Mauro Pires

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7 comentários em “Decorem este número: 726 mil milhões de euros

  1. Simples de resolver o problema na produção de bens caro amigo Mauro e por favor corriga-me se estiver errado em como resolver a situação rapidamente. Se se levantar o ordenado minimo para 2000 euros mensais,as empresa são obrigadas a levantar as margens de lucro de acordo para conseguirem pagar esses ordenados altis e ao mesmo tempo chegava também maus dinheiro aos cofres do estado que tanto precisa e os portugueses ficavam com poder de compra equivalente a um suíço ou luxemburguês.

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    1. Olá Bruno, isso seria um verdadeiro desastre pior que 2011! As empresas portuguesas, maior parte micro e pequenas, 95 por cento não aguentaria tal pressão e fechariam pouco tempo depois, até o Zimbabwe se ria de nós. Temos é que baixar despesa publica e depois baixar impostos, eliminar regulações e burocracias. So pensando no longo prazo é que nos safamos.

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      1. Compreendo o que me diz amigo Mauro. A minha afirmação vem de ter reparado noutros paises do tamanho de portugal tal como a Suíça ou luxemburguo e que o eles tem de diferentes na economia é que as margens de lucro dos negocios são todas para cima de 100% e em portugal é apenas de cerca de 30 em média dai haver a descrepancia da relacao margem/ordenado entre nós e eles e não porque vendem mais do que nós como a grande maioria pensa..apenas vendem maia caro para criar mais riqueza com cada venda.

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      2. Claro. O que interessa aqui, e ei de escrever um artigo sobre isso, é como surge o salário em si. Só podemos aumentar salários se a empresa em si conseguir obter mais rendimentos daquilo que vende, neste caso, o valor acrescentado da venda ser maior. É diferente vendermos rolhas de cortiça a 1€ cada uma do que uma mala de cortiça a 20€, a componente tecnológica faz a diferença.

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