Cuidado com o excesso de optimismo

A função de qualquer analista é tentar explicar ás pessoas a realidade nua e crua, pelos menos os analistas decentes desse nome. Os políticos portugueses costumam vender banha de cobra, mas a qualidade deixa muito a desejar, aproveitam-se de um povo com baixas qualificações e farto, e bem, da classe política vigente não votando na manada bovinal que temos, depois sobram os militantes, os simpatizantes e a classe que está sempre a ser corrompida com futuros aumentos salariais, funcionários públicos, criando uma classe diferente das outras mas que cujo aumento de regalias futuras hipoteca-nos o futuro, da esquerda à direita todos a engordam, afinal, é da li que temos o voto “seguro”.

No meio de tanto mapa cor de rosa e fofura hippie em demasia, temos que olhar friamente para os números. O INE publicou na segunda feira os dados, ainda provisórios, do crescimento económico do 2º Trimestre de 2017. São dados que podem ser analisados de vários prismas, primeiro, que é um resultado sustentado pelas reformas de Passos Coelho, não temos que ter medo ou vergonha de dizer isto, é simplesmente a verdade, este Governo a única reforma que fez foram “devoluções”, afectos e incoerências de geometria variável. O crescimento de 2,8% podia ser muito maior, porquê? Se Passos tivesse aprofundado as reformas feitas no seu mandato, eram precisas muitas mais, e depois temos Costa que anda ao sabor do vento, não muda nada de estrutural e o bom crescimento que agora temos vai se esfumar ao longo do ano essencialmente porque:

  1. O crescimento do 1º Semestre de 2016 foi fraco, logo comparando matematicamente temos sempre um número mais favorável neste 1º semestre de 2017.
  2.  Houve uma aceleração do crescimento económico no 2º semestre de 2016 pois os empresários verificaram que o governo colocou a viola no saco e Centeno tinham continuado o corte de gastos públicos, vulgo austeridade, sim, Costa fez austeridade(era algo diabólico não é Costa?), e logo neste 2º Semestre de 2017 vamos ter um desaceleração a fundo do crescimento.

Com isto, podemos chegar a uma conclusão, que para diminuirmos a nossa dívida pública de 131% do PIB para níveis “aceitáveis”, temos que ter superávits orçamentais, não vai acontecer, e temos que ter um crescimento nominal( Crescimento do PIB real + Inflação), de pelo menos 4%. Isso pode acontecer este ano, mas nos anos seguintes não se perspectiva tal coisa, pois vamos voltar aos nossos crescimentos anémicos de 1,5 a 1,3% ao ano, porque quem não quer mudar nada de estrutural na economia portuguesa e anda a sabor do vento não augura nada de bom.

Se nem com ventos do BCE favoráveis, preço do petróleo baixíssimo e um enquadramento internacional bom não se faz reformas e se controla o orçamento, as várias bolhas internacionais seja no crédito, mercado monetário, obrigacionista(dívida) e de acções quando derem o estoiro não vamos aguentar o impacto, tudo por foguetório e uma mentalidade que nenhum governo deve ter: Curto prazo.

Este crescimento não é sustentável, nem existe um conjunto de medidas preparadas para que tal aconteça, não se reformou o Estado, culpa para Passos e Costa, não houve uma reforma na despesa pública por completo, continuamos com regulações e burocracias pornográficas, impostos a estrangular os empresários e a população. Em resumo, 2 anos de governação que exprimidos só saíram afectos, depois não se queixem. Não é ser masoquista ou desejar mal a alguém, aliás, preocupar-nos com o futuro do País e tentar que ele cresça mais mas com pés de ferro não de barro é que chegamos lá, meus caros já vamos na 3ª bancarrota, queremos o TETRA?

Mauro Pires

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