Com pão e circo se enganam os tolos

Se há uma coisa que, Medina Carreira nos ensinou a todos nós, é tentar estar na contra corrente de opinião mesmo que o ambiente geral seja de festa à Costa Carilal. Ser contra corrente não é ser do “contra” só por ser, é muitas vezes, através de factos concretos e dados, que conseguimos apurar e prever o que pode acontecer, uns querem ver e ficam preocupados, outros tem o cartão de militante e não tiram as palas seja de que quadrante político for.  Um dado económico, ou macroeconómico, só para ficar mais pomposo, que me chamou a atenção nesta última semana foram os dados do comércio internacional, ou seja, quando juntamos as trocas de bens com o comércio intra-UE(dentro da UE) e extra-UE(Fora dela). Vamos a contas:

gr 2

gr 3.png
FONTE: INE

Depois de um 2016 onde tivemos um desempenho frustrante das exportações de bens ou seja combustíveis, vestuário e alimentação/ bebidas(não quer dizer que estes produtos tiveram variação negativa mas sim,  que são tipos de bens), 2017 voltaram a arrancar de forma muito favorável essencialmente porque a confiança dos empresários aumentou, afinal a geringonça era fogo de vista, os nossos empresários continuaram, então, a nossa mudança de crescimento a nível estrutural, ou seja, a forma como crescemos, as exportações estão e, vão continuar a ter, mais peso no crescimento do nosso PIB e isso é favorável.

Portugal não é um País que produza componentes electrónicos de origem em massa e os que produz, importa determinadas peças, para um carro por exemplo, onde os exporta com um valor maior, quer dizer que comprando para exportar vale a pena no médio e no longo prazo, porque vamos exportar mais e com maior valor acrescentado. Se temos um problema que comprar caro e vender barato, especialmente na balança de bens, esse problema tinha vindo a ser resolvido paulatinamente com o ajustamento externo, mas à medida que os cordões à bolsa se foram abrindo, as importações dispararam e continuam a fazê-lo e a crescerem a um ritmo superior ás importações.

Em Maio de 2017, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de, respectivamente, +15,4% e +22,4% o que representou um  défice da balança comercial de bens em 1 438 milhões de euros, o que representa um aumento de 503 milhões de euros face ao mês homólogo de 2016. 

gr3.png
FONTE: INE

Reparem que, com se vê no gráfico acima, temos um défice acumulado do lado da balança comercial de bens de mais de -5000 mil milhões de euros de Janeiro a Maio. Se voltarmos ao mesmo modelo de consumo a crédito que já conhecemos, misturando o perfil que já temos da nossa economia de importar bens para exporta-los e sabendo que o turismo não cresce para sempre, podemos ter problemas no futuro.

O investimento não vai crescer muito mais pois num País de pensamento comunista e com um Governo social-fascista, que promove regulações e licenciamentos e não é amigo do ambiente empresarial em geral, só para os amigos de certas empresas, como querem um aumento das exportações mais acentuado? Como querem reduzir o conteúdo importado? Onde está uma estratégia nacional para definirmos as nossas vantagens comparativas, ou seja, face as nossas características de País o que podemos exportar de forma a tirarmos vantagem disso? Última questão,  temos ALGUMA ESTRATÉGIA?

Mauro Pires

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s