Recordemos Medina Carreira

Medina Carreira era dos poucos Homens, com “H” grande ,que podíamos dizer que o era. Ter espinha dorsal em Portugal, é como encontrar uma agulha em Palma Maiorca Medina tinha essa capacidade de dizer o que pensava sem quaisquer condicionantes políticas ou partidárias. Esclarecer, o povo português, era o seu principal objectivo e tinha o seu pequeno rebanho todas as semanas para o ouvir e ser ouvido. Já tive a oportunidade de lamentar a morte deste grande Senhor, mas lamentar a morte de Medina Carreira não basta, é necessário homenageá-lo todos os dias e homenagear Medina é falar mais e melhor que muitos analistas comprados da praça e alertar, devidamente, sobre os nossos problemas estruturais quando todos estão a fazer ouvidos de marcador. Vamos a números:

Sem Título

Fonte: Gráficos de Medina Carreira e Pordata. Taxa média de crescimento do PIB

Temos, num período de 56 anos, uma constante desaceleração da taxa média de crescimento do nosso PIB. Depois da taxas de crescimento chinesas nos anos 60 e 70, era expectável uma desaceleração normal devido à maturação da nossa economia, mas não de forma tão abrupta como ocorreu dos finais dos anos 90 até ao nosso século actual. Podemos explicar este fenómeno de várias formas, mas mostro este gráfico que espelha bem o que já Medina Carreira dizia sobre o “Partido do Estado” e os seus interesses:

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Fonte: Gráficos de Medina Carreira e Pordata. Despesa Pública em % do PIB

Reparem na constante súbida do Peso da despesa pública na riqueza produzida do País, Produto Interno Bruto, onde esta nos anos dos Governos de Cavaco Silva aumenta de uma forma continua devido ao processo de “engorda”, da função pública em número de funcionários e a continuação da súbida da despesa com Guterres, especialmente no final do Mandato, com o famoso pântano. Se já a economia privada em Portugal, em constante desaceleração de crescimento, não consegue pagar o Estado balofo que cria, o milionário José Sócrates engordou ainda mais o Estado aumentando a Despesa pública para níveis de Países nórdicos sabendo, mesmo assim, que não tínhamos economia para sustentar tais acréscimos.

A fanfarronice de Sócrates levou-nos ao resgate e há enorme contenção de despesa pública, que devia ter sido muito maior, tendo os portugueses arcado com enormes aumentos de impostos, mais uma vez, injustamente. O nosso problema continua em vogue, se recebemos 1000€ e temos estagnação de salários, tendemos a consumir o mesmo ou menos para o Orçamento familiar estar equilibrado, ninguém vai aumentar gastos, por exemplo, de 500€(em comida e gastos com a casa e supérfluos) para 800€ mensais pois isso traduz-se em mais encargos e consome recursos indispensáveis à nossa sobrevivência. Ora, se Portugal tem índices de crescimento muito baixos, tem que diminuir o seu nível de despesa pública para o conjunto da economia conseguir arcar com o Estado social e com ouras funções do Estado, é simples isto é aritmética coisa que os nossos (des)governantes não sabem fazer.

Temos outro caminho, fazer reformas estruturais para aumentar o nosso potencial de crescimento e fazer austeridade no orçamento nos próximos 25 anos, é duro, mas a próxima geração merece, a actual geração de políticos é que merecia outra coisa, mas hoje vou me aguentar. Temos um problema para resolver e não se resolve com paninhos quentes, se queremos uma economia mais competitiva e capaz de lutar corpo a corpo com outras mais competitivas, é necessário sentido de compromisso e outra classe política, pois esta, está ligada a interesses que não interessam o desenvolvimento do País. Eles lá sabem.

Medina, não estás entre nós fisicamente, mas existem pessoas que vão lutar pelo teu legado. OBRIGADO!

Mauro Pires

P.S: Quanto aos interesses, um dia falamos melhor disto.

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