No Reino dos Medíocres, os Génios são decapitados

Texto lido : https://www.youtube.com/watch?v=su_IgEWCRUg&t=1s

Quando era ainda uma criança, achava que as pessoas que se gabavam muito delas próprias (na Suíça dizíamos que “elles se la pêtent”) eram pessoas desprezíveis. Achava aquilo superficial, desadequado, não via razões minimamente objectivas que sustentassem tanta bazófia. Com o passar dos anos as coisas mudaram: eu é que passei a alardear-me! Achava piada, permitia abrir um novo campo humorístico, no novo meio em que passei a me inserir (universitário estatal jurídico) aquilo contrastava tremendamente com o “pensamento” dominante.

Mas aquela nova atitude também era o reflexo de um método de “sobrevivência”: quando era mais novo não me gabava, falava pouco e não chateava ninguém. Meio-caminho andado para ser aquele que sofria as piadas e graçolas dos outros (o que foi que aconteceu). Assim como também decidi adaptar-me e responder, acabei por adoptar parte do comportamento dos “macacos”[1]. A idade, o comodismo e os resultados fizeram que mais que adoptar, entremeei essas atitudes.

O problema é que o contexto mudou: a adolescência tinha acabado, os filhos de operários eram agora filhos de notários, o gosto por sair todos os fins-de-semanas foi substituído pela necessidade de estudar longas horas a fio. E claro alguns dos meus colegas eram também antigos “intellos”[2], à diferença que não quiseram, ou não necessitaram de se adaptar aos gajos “fixes”.

Inevitavelmente isso criou conflitos: eu continuo a usar uma linguagem muito crua, com palavrões, imenso recurso à sexualidade, humor negro quando estou com pessoas que considero meus amigos ou potenciais amigos. O problema é que os ditos não têm a mesma sensibilidade que eu: a vantagem é que isso permite separar o trigo do joio.

Quando mudei de comportamento, também o analisei. Comecei a ter mais compreensão por esses tais “fixes”, que agora estão a um passo de me servirem como meros empregados de limpeza[3]. Eu disse-me a mim próprio “se tu não gostares de ti próprio, como é que alguém o poderá fazer? Mais, quando sentires que o teu mundo se desmoronou, estarás sozinho. Ora como queres sair do poço se não gostares de forma irracional de ti? Como queres subir o poço, algo de tão perigoso se não tiveres uma absoluta confiança em ti próprio?”

Assim, convenci-me que a bazófia era algo de bom, é algo que nos ajuda a avançar, a nos afirmar.

A nos amarmos a nós próprios, o que eu esqueci de fazer durante tantos anos.

Hoje convenci-me ainda mais de isso. Convenci-me ao lembrar dos escritos de Ayn Rand, de toda a filosofia do liberalismo.

E convenci-me a testemunhar de mais um episódio de mediocridade.

Quem consultar a minha página Facebook, virá que ela está cheíssima. Artigos, fotografias, reflexões. Há de tudo e em grande quantidade (ao ponto que tive de instalar um programa para me impedir de perder tanto tempo na rede!).

Encontrarão principalmente artigos, onde ideias são apresentadas, ou onde eu próprio formulo ideias e pistas de reflexão. Tento aplicar a máxima que “gente inteligente discute ideias, gente média discute factos, gente baixa discute pessoas”. Tento assim ficar sempre no Império das Ideias.

No entanto, claro há lugar para o humor e a bazófia. Ora publiquei há tempos uma monumental obra de bazófia.

Eu que passo, o quê, 90% do meu tempo a publicar “coisas sérias” decidi ir para aquele registro. E não é que, pessoas com quem eu não falo há mais de um ano, uma das quais “desamigou-me” do Facebook por, desculpem do pouco, ter ousado dizer que achava que PESSOALMENTE se EU tinha de divorciar consideraria isso como um testemunho de infâmia[4], reaparece no meu mural. E para dizer isto: “Que homem!”. Dois outros foi “Such wow”, e “WOW” em resposta à primeira.

90% das publicações são sobre política, economia, sociologia, filosofia, espiritualidade, e lá aparecem os queridos NUMA publicação mais rasca para deixarem comentários de duas palavras, a cheirarem a troça, porque ousei gabar-me no meu próprio mural!

E é aí que Ayn Rand falou directamente para mim: não temos de nos desculpar dos nossos sucessos. Não existe nenhum motivo de orgulho em ser medíocre. De querer nivelar toda à gente por baixo. De viver na inveja, a desprezar os méritos alheios.

Resumindo: aquela gente odeia bazófia porque não gosta dela própria.

Quem tem um mínimo de autoconfiança, quer lá saber se fulano tal se gaba ou deixa de gabar. Quem gosta o suficiente de si próprio, não perde tempo a fazer reflexões sobre como os outros vivem (e nesse caso direi, não gasta só o tempo dele a preencher a terceira parte da máxima que citei encima).

Pelo contrário, os espíritos livres têm orgulho neles próprios. Será necessário demonstrar o sucesso? Claro que não. O trabalho fala por ele próprio em princípio, e quem se gaba por se gabar rapidamente é descoberto. Ele próprio tem de admitir a realidade; se não o fizer, sofrerá as consequências. E se teimar em ignorar as consequências, costumará deixar a bazófia para enveredar pela inveja pura (tem de encontrar maneira de justificar os seus falhanços sem reconhecer os seus erros). Voltamos ao ponto inicial da mediocridade.

Mas se pessoas geniais não precisam de se gabar, pessoas medíocres terão possivelmente ainda menos recurso à bazófia. Os medíocres estão concentrados em eliminar quem saía da norma que inventaram. Não há tempo para se gabar. Ou se se gabam é porque conseguiram lixar a vida alheia. Veem? Nunca produzem nada de positivo, apenas destroem. Vivem através dos outros, por oposição a eles.

O significado da famosa frase anarquista “nem mestre, nem Deus” é mais que o que aparente ser à primeira vista: escolhe o teu próprio mestre, escolhe o teu próprio Deus. E tu podes ser o teu próprio mestre e o teu próprio Deus. Alguns escolhem seguir o mestre da mediocridade e o Deus dos possíveis, eu prefiro escolher o mestre da grandeza e o Deus dos impossíveis.

Concluirei por mais uma enorme peça de arrogância over 9.000[5]:

 Porque raio os outros teimam em convencer-me que sou superior a eles?

PortugalGate (2)

 

[1] Para quem conhecer bem a série How I Met Your Mother saberá o que entendo por aí. Os outros, ide ver esta série fantástica!!!

[2] Na Suíça da década de 2000 eram os alunos que passavam imenso tempo a estudar, muitas vezes pouco faladores e pouco dados a actividades desportivas. Ou como disse Bill Gates, « aqueles que podem um dia ser o teu patrão ».

[3] Compreensão, nunca disse que eu era alguém de misericordioso!

[4] A pessoa em questão viu os seus pais divorciarem por um dos dois ter descoberto que era homossexual. E eu que sempre tomei as minhas precauções para não a chatear com o tema, aliás tinha explicado que a minha afirmação era estritamente pessoal, se as pessoas queriam divorciar-se, separarem-se, era me totalmente indiferente e bom proveito a elas. Mas na mesma era acusado de montar um ataque velado. Hein?!

[5] Vegeta, Dragon Ball Z versão inglesa (versão original são 8.000).

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