Vamos bater na parede, outra vez!

Portugal parece daquelas pessoas com 50 anos que, tem dores no joelho, vai à fisioterapia fica melhor e depois, por masoquismo,  atira-se para um chão com cimento e depois diz que não sabe de onde vem a dor. A nossa tragédia é parecida com isto, temos políticos que fazem um reforma do IRC promovendo a estabilidade e previsibilidade fiscal, pois, os três maiores partidos do País assinam esse mesmo pacto e qualquer investidor fica descansado, pensando que o acordo se manterá por um longo período de tempo investindo parte da sua poupança na formação de novo capital, ou seja, investimento.

Entretanto chega um usurpador ao poder, não é preciso dizer o nome, é balofa mente previsível quem seja tal criatura, que rasga os acordos e o investimento começa a cair, sendo ele já tão baixo. A criatura mor do reino diz, entretanto, que a culpa é do Primeiro-Ministro anterior, uma consulta ao Júlio de Matos verificou que tal criatura tinha chumbo no lugar dos miolos, nada preocupante, então. Vamos a contas:

Sem Título.png

FONTE: Pordata

Temos aqui neste gráfico, um dos nossos problemas, totalmente escarrapachados. Um País que já teve, o investimento com um peso no PIB de 32%, na década de 70 e 80 chega a 2016, com o investimento a contribuir para o geração do PIB em 14,8%  logo mais baixo ainda que nos anos da recuperação Pós-Troika 2013-2015. Costa, prometias mais investimento? Está aonde?

Um País que queira um crescimento sustentado, acima de 2% em termos reais, tem que ter taxas de investimento muito mais altas mas não só, precisamos de previsibilidade fiscal, eliminar burocracias, regulações e licenças desnecessárias e baixar impostos, para isso temos que cortar despesa, mas de modo estrutural coisa que este governo não fez e Passos Coelho podia ter ido mais longe, mas quem tem um Tribunal Constitucional na perna… Muito paleio com crescimento inteligente, apostar na inovação e coisas politicamente correctas do jornalismo de esquerda e de direita em Portugal não valem de nada, temos que ter é políticos que tenham sentido de responsabilidade e que coloque, os problemas estruturais do País à frente de tudo e de todos.

O PS não é capaz disso, mas Passos, com todos os seus defeitos, conseguiu e talvez possa acabar o que começou mais depressa do que imagina. Portugal está a beneficiar, neste momento, dos efeitos positivos das poucas reformas estruturais que foram feitas por Pedro Passos Coelho e de uma conjuntura internacional tremendamente favorável.

Ora, quando estamos sentados num bloco de gelo e o sol começa a ficar mais forte, o gelo derrete e quem estava em cima dele vê a sua almofada de conforto a diminuir, se temos um modelo de crescimento baseado em exportações e investimento e cujo modelo não é trabalhado com reformas, um dos indicadores vai falhar, a sustentabilidade do crescimento das exportações vai depender da nossa capacidade de aumentar a nossa poupança interna coisa que não está a acontecer. Além disso, a poupança gera investimento, pois os bancos utilizam as poupanças dos particulares para emprestarem dinheiro as empresas e assim se verificar a criação de novas unidades produtivas ou o incremento das existentes, mais uma vez, não temos poupança suficiente. Vamos a contas:

Sem Título

FONTE: INE

Já tivemos uma poupança interna, por volta dos anos 60/70 de 30% do nosso rendimento disponível era das mais altas taxas de poupança no Mundo na altura. Hoje temos uma taxa de poupança de 3,9% das mais baixas do Mundo desenvolvido. No 2º Trimestre de 2013 tínhamos uma taxa de poupança de 9%, foi então, diminuindo paulatinamente até ao 1º Trimestre de 2017, essencialmente, porque começamos a consumir mais que o aumento dos nossos rendimentos, o que faz com que recorramos as nossas poupanças para financiar disparates. Se não temos poupança interna, o que nos sobra? Poupança externa! Logo financiamento externo, mais endividamento externo e já adivinharam as consequências? CARIL! Exactamente,  ZÉ PAGA!

Mauro Pires

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