Bazófia refinada, de A a Z

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Todos os seres vivos possuem características que os permitem sobreviver, fazem tudo ao seu alcance para prolongar momentaneamente as suas vidas.

Conseguimos deduzir isto através de um raciocínio lógico baseado na teoria da evolução de Darwin. Os seres vivos que têm as características mais bem adequadas para enfrentar os embaraços a que são expostos quer por anomalias climatéricas ou ataques de outros são os que vivem mais tempo, e por isso os que conseguem reproduzir-se mais, transmitindo as suas características aos seus descendentes.

Coloco então a seguinte questão: consegue sobreviver mais tempo um ser vivo que pensa mais em si e nas formas de se defender ou outro que põem a sua população em primeiro lugar?

A resposta parece-me óbvia, sobrevive mais tempo aquele que pensa só em si e no seu bem-estar, não retirando pois a hipótese de essa sobrevivência mais duradoura depender em certos casos da sobrevivência da população em que se insere.

Apesar de a nossa sociedade nos incutir desde crianças que pensar em nós e deixar os outros para segundo plano é um ato de egoísmo e arrogância, isso não é de todo verdade.

Muito pelo contrário, basta seguirmos a linha de pensamento de Adam Smith, um dos grandes economistas da história, para percebermos que pensando em nós acabamos, involuntariamente, por tornar a vida de todos melhor.

Não acredita?

Tome Steve Jobs como exemplo, nunca foi o seu objetivo tornar a vida das pessoas melhor fornecendo-lhes tecnologia de qualidade mas sim aumentar o saldo da sua conta bancária e para o conseguir aumentou a qualidade de vida da humanidade. Se não pensasse em si nunca teríamos equipamentos tecnológicos tão sofisticados como os da apple.

Este é apenas um de muitos exemplos.

Não nos podemos esquecer, no entanto, que também existem casos em que as pessoas fazem a vida dos outros melhor sem pensarem tanto em si, como em atos de solidariedade, mas, normalmente, essas são as ações que causam menos impacto no bem-estar e desenvolvimento de uma sociedade. Apesar de muito boas intenções e a criação de movimentos humanitários excelentes, a Madre Teresa de Calcutá, não conseguiu tanto impacto no desenvolvimento da nossa vida como a maioria das pessoas que se movem por interesse próprio.

Salvo raras exceções, os defensores de atos obrigatórios que apenas retiram a liberdade aos indivíduos são pessoas que direta ou indiretamente ganham com isso ou pessoas que foram formatadas e influenciadas de forma a não entender quando a sua liberdade é colocada em perigo.

Vivemos numa sociedade que nos educa a depender do estado, temos de lhe pagar impostos por serviços que muitas vezes nem chegamos a usufruir, em muitos países ainda há regime militar obrigatório, há a proibição do uso de drogas, temos de declarar os bem materiais que possuímos e a lista destas obrigatoriedades absurdas poderia continuar quase infinitamente.

Sendo que já vimos que o “eu” é quase sempre a melhor das prioridades, sinto a necessidade de levantar a questão: Necessitamos realmente de uma identidade superior (estado) para nos dizer o que devemos ou não fazer e nos obrigar a declarar aquilo que possuímos?

NÃO.

É, de facto, necessário uma identidade mínima que possa regulamentar os bens comuns, como a Natureza, mas tudo o resto estaria em melhores condições se privatizado e se fosse promovida a criação de mais negócios, aumentando a concorrência e, consequentemente, a descida de preços e aumento de qualidade.

Mas o que o governo quer é tornar as pessoas dependentes dele, fazê-las pensar que necessitam que tomem as decisões por elas e lhes digam o que fazer, pois é assim que um governo prospera. E para isso manipula tudo o que pode, como a educação, distorcendo ou omitindo a realidade.

E porque faz isto?

Porque os chefes de governo, tal como todas as pessoas, pensam em si e querem tornar as suas vidas melhores, o que pode ser provado pelo facto de que de tempos em tempos sai uma nova notícia de um político que desviou dinheiro público.

As políticas de obrigatoriedade, defendidas pelos grupos que saem favorecidos com elas, escondem sempre interesses individuais.

Os seus defensores são também aqueles que chamam aos libertários de egoístas e egocêntricos, mas a verdade é que esses não são muito diferentes dos libertários, são também egoístas e egocêntricos, mas disfarçam isso com os seus “politicamente correto” e com as suas obrigatoriedades para “o bem da sociedade”.

Esses são os verdadeiros egoístas, que passam por cima de quem conseguem enganar, esses são os egoístas disfarçados, que ao contrário dos libertários enganam e mentem não só no que são, mas também nas intenções daquilo que fazem.

Os libertários além de terem um princípio fundamental, a liberdade individual, não enganam nem se aproveitam da inocência de quem não tem as mesmas capacidades de se defender.

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2 comentários em “Bazófia refinada, de A a Z”

  1. Também gostei deste texto.
    Se me permitem vou colocar aqui as minhas Máximas onde humildemente exprimo o que a Vida me tem ensinado:

    As minhas Máximas
    Acredito que todos estes pensamentos já tenham sido expressos por outrem: ditos, escritos ou sugeridos por qualquer forma.
    O que é um facto real é que tudo isto me tem ocorrido durante as minhas cogitações!

    A Sabedoria

    1. Mau é não saber, mas pior é não querer saber.
    2. Já é mau não ensinar mas pior é ensinar errado.
    3. A pior ignorância é a orgulhosa.
    4. O pior que há na ignorância é a impossibilidade de poder avaliar-se a si mesma.
    5. O ignorante desconhece a dimensão da sua ignorância, qual prisioneiro na masmorra: este também ignora a espessura das paredes que o cercam e tudo aquilo que possa existir para além delas.
    6. O ignorante mesmo julgando-se livre é o pior dos prisioneiros.
    7. O pior cego é o que não quer ouvir.
    8. Todos nós sabemos muito de poucas coisas, pouco de muitas coisas e nada de quase tudo.
    9. Há mais burros que jumentos.
    10. A Felicidade só existirá quando não sentirmos dores: no Corpo e na Alma.
    11. Não crias amizades quando dizes as Verdades.
    12. Quem voa nas asas da Fantasia arrisca-se a aterrar na lama da Realidade.

    Dinheiro, o Poder, Ricos e Pobres

    1. A ambição do dinheiro amolece ou aniquila as consciências.
    2. Raras são as grandes fortunas que não começaram numa extorsão suave ou violenta ou na herança dos bens de um gatuno, o que é o mesmo! (Nota – curiosamente, vim a encontrar pensamento semelhante em Aquilino Ribeiro – “Quando os lobos uivam”, pág. 37. O facto é que cheguei à mesma conclusão, mais de trinta anos antes de ler aquela Obra).
    3. Quem mais perto estiver do Poder, mais dele beneficia.
    4. Tens, és; não tens, não te conheço! (filosofia da época actual)
    5. Vivemos a civilização do Ter; quando virá a civilização do Ser?
    6. A ambição dos ricos e poderosos acabará, após a devastação total da Terra, do mesmo modo como acabam quase todos os grandes incêndios: acabam quando lhes falta o combustível.
    7. Os ricos precisam dos pobres para se julgarem ricos; os pobres tentam aproximar-se dos ricos, para se sentirem importantes.
    8. Todo o rico gosta de ter por perto, um ou mais pobres de estimação.
    9. Se somos pobres é porque somos, colectivamente, ineficientes.
    10. Dantes o Povo tinha o que podia ter; hoje, muito do que tem não pode ter.
    11. A Honestidade e a Saúde são a prata e o ouro dos pobres.
    12. A Riqueza convive mal com a Honestidade.
    13. A lisonja vinda do Poder instituído é a maior ambição do humilde quando se tornou rico.
    14. Poupar onde se puder e gastar no necessário.

    A Vida, o Homem, o seu comportamento e o Trabalho

    1. A Vida é como um relâmpago que divide a Eternidade em três partes mas só duas são relevantes: o “Antes” e o “Depois”; o “Durante” é um instante desprezível por ser infinitamente pequeno quando comparado com as outras duas.
    2. A Vida assemelha-se à gota de chuva que cai do beiral: espantosamente bela e fatalmente efémera.
    3. Viver é acumular desilusões.
    4. Quem não tem nada para fazer, “chateia” os outros.
    5. Parecer, não é ser.
    6. O Homem é um ser eminentemente adaptável.
    7. Aquilo que um homem fez, outro homem poderá vir a fazer.
    8. Grande maçada é ouvir o Artista a dissertar sobre a sua Obra.
    9. Muitos homens vivem só de pão, embora se diga que “Nem só de pão vive o Homem”.
    10. Onde estiver o Ser Humano, aí está a perversão. (Dito de outra forma: “Só o Ser Humano é ou pode ser, perverso”).
    11. Os falsos amigos são os piores inimigos.
    12. Pessoas há que, se pudessem, arrancavam a camisa aos acompanhantes do seu próprio funeral.
    13. O pai plantou a cepa, o filho colheu o cacho e o neto é borracho.
    14. Dia em que se come é dia de trabalho ou, por outras palavras, só devem ser de descanso, os dias em que não se comer.
    15. Ansiamos constantemente por uma surpresa agradável.

    A Política

    1. Os maiores (e os piores) inimigos de Portugal são portugueses.
    2. A Política resume-se a sete palavras: “Tira-te daí, para eu aí me pôr!”
    3. A maioria dos Políticos pertence a um único Partido: o Partido do “Vamos fazer!”.
    4. Quando o Rei enjoa o faisão e o Povo só come feijão, vamos mal de governação.
    5. Os que melhor falam são os mais bem cotados na Sociedade; não os mais competentes.
    6. Em Portugal pensa-se e age-se na convicção de que tudo e todos servem para tudo (grande erro!). (Nota – encontrei recentemente este pensamento escrito por Salazar, quase ipsis verbis, durante a leitura da obra de Franco Nogueira, “Salazar”, vol. 1 pág. 230: “Maldita mania que nós temos em Portugal de querer que todos sejam para tudo!”).
    7. Nas Sociedades consideradas modernas, a Igualdade, colocou no mesmo nível de direitos, o cão e as pulgas de que é hospedeiro.
    8. Ai do cão que não cate as suas próprias pulgas.
    9. Os mais perigosos parasitas da Humanidade, não são os mosquitos; são os vendedores de saliva.
    10. A Lei é um campo minado e armadilhado; quem tiver que o percorrer sem conhecer o mapa, está em perigo permanente.
    11. As revoluções políticas não alteram o carácter dos viventes.
    12. A Paz, a Liberdade e o Bem-Estar geram Egoísmo. O Altruísmo e a Solidariedade são, a maior parte das vezes, impulsos originados por uma ameaça comum; não emanam da pureza do coração humano.

    Diversos

    1. Grosso modo, o Mundo é um estratificado de máfias e, espantosamente, algumas são máfias consideradas piedosas.
    2. No Mundo há lugar para todos, desde que cada um queira ocupar e permanecer no seu devido lugar.
    3. O Mundo acabará numa lixeira.
    4. O Mundo é dos ladrões.
    5. Nada resiste a tudo.
    6. Tudo aquilo que tem capacidade é susceptível de saturar.
    7. Tudo é efémero, mesmo que dure muitos milénios. Eterno só Deus.
    8. Um diamante em bruto pode valer alguma coisa, mas só é verdadeiramente valioso quando estiver lapidado.
    9. De que me serve ter uma águia quando tenho fome? Assim como assim, mais me valia ter uma galinha!
    10. As flores só alimentam os nossos olhos; o nosso estômago reclama os frutos.
    11. O Medo e a Curiosidade são os progenitores da Inteligência e do Progresso.
    12. A perda da noção do Solene abre as portas à vulgaridade e ao rasteiro onde nada se distingue por superior.
    13. Actualmente, ser honesto significa estar em desvantagem.
    14. Falar bem ajuda a pensar bem e vice-versa.
    15. Aprender música é aprender civismo.
    16. Oração:
    Senhor, perdoai meus erros e livrai-me:
    Dos Comediantes da Política,
    Dos Comerciantes da Saúde
    E dos Sábios arrogantes.
    Ámen.

    Manuel A.

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