Liberdade, libertinagem e difamação

Já repararam que muitas pessoas quando atingem o ponto que não são mais capazes de criticar uma ideia da qual discordam têm que ir pela via da difamação, depreciação e até apelar ao riso falso? Tem algumas que vão mais longe, fazem críticas às ideias alheias que podiam ser feitas às suas próprias. Parece que quanto mais o tempo passa, a honestidade intelectual aumenta o seu risco de extinção.

Isso é facilmente visível em países corporativistas, no qual Portugal é um exemplo brutal. Já repararam como as forças conservadoras e/ou sociais democratas (moderadas como o PS ou radicais como o BE) adoram figurar os liberais como libertinos? Não dá jeito assumirem (em ambos os lados das forças representadas) que em décadas de Democracia foram incapazes de informar aos cidadãos que a liberdade não confere apenas direitos, mas também responsabilidades. E como também foram a favor da criação de mercados eleitorais, não estão para ofender os seus clientes. Ao terem criado uma plena farra social, em que toda a gente é a vítima e ninguém é responsável, eles nunca poderão assumir qualquer culpa. A culpa, essa é sempre do outro, visto que eles possuem o monopólio da virtude.

Os resultados são visíveis, uma classe política em que muitos poucos confiam e se revêem (veja-se o nível de abstenção), um sistema judicial em que cada vez menos pessoas crêem na fiabilidade do mesmo e uma sociedade que todos criticam e ninguém tem coragem de assumir a responsabilidade de criticar o cerne do erro. Como disse, as forças representadas não estão para chatear os seus consumidores eleitorais, tornando-se no melhor exemplo do que é ser populista. É claro que num país como Portugal o populismo não emerge, pois está mais que bem representado na Assembleia da República.

O que mais me surpreende no meio disto tudo (e que não me deveria surpreender) são os que se dizem zelosos imparciais pelos interesses da nação, quando aparece uma força com iniciativa para devolver credibilidade às instituições democráticas, são os primeiros a se esconder e a defender de forma acirrada quintais que na verdade não são seus.

Eu tenho noção que as pessoas tem medo de mudanças no status quo, no entanto, eu não creio que seja preferível continuar a viver num sistema atual que favorece à oposição e falta de diálogo entre indivíduos, que coloca cidadãos como inimigos e não parceiros sociais para um futuro próspero e plural. Aceitar o estado atual das coisas é permitir que no futuro se perpetuem os mesmos erros do presente. É necessário as pessoas desenvolverem iniciativa para mudarem o que está errado, é necessário as pessoas acreditarem em quem teve iniciativa para arriscar e acreditar que as coisas podem mudar para melhor. Não podemos continuar tolerantes com uma previsibilidade perversa em que nos propõe um futuro pobre e dependente de forças políticas que tem governado pelo seu interesse de permanecer no poder e não em representar quem os elegeu.

É necessário refundarmos o pacto social, para que as gerações tenham um verdadeiro futuro, um futuro de liberdades e não de libertinagem. É necessário ter iniciativa para fazer as mentalidades mudarem e alargarem o seu espectro. Urge a nós liberais lutar por esse futuro.

Matheus Costa

 

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