Brasil: Os cleptocratas no poder

Já tive vergonha e orgulho do meu país.

No segundo mandato de Lula, lembro que nunca me senti tão orgulhoso. Ainda não tinha a capacidade de analisar e criticar as coisas como tenho hoje, mas na altura lembrava de um Brasil com voz ativa no mundo, o que parecia uma verdadeira ascensão social e a possível entrada do Brasil no grupo dos países desenvolvidos. Tudo mito e mentira.

De lá para cá, aprofundei os meus conhecimentos políticos, económicos e históricos. Descobri que o mesmo tipo de políticas feitas por Lula da Silva já tinham sido feitas no Brasil e falhado ao longo prazo. Descobri também que desde a sua independência o Brasil era governado por populistas ambidestros. Até por que no Brasil não há distinção entre direita e esquerda, não por pensamento ideológico ou filosófico, mas por total amor ao fisiologismo. Agarrar o poder e não perde-lo é o objetivo central.

Não há diferença entre PT, PSDB, PMDB ou qualquer T, S, D ou B que um partido possa carregar. Isto foi possível não apenas por ignorância da população. O Brasil tem tradição corporativista, o amor ao “Estado-papai” vem da nossa génese.

Vamos analisar a origem brasileira: a maioria do povo brasileiro tem antepassados portugueses, espanhóis, italianos, germânicos e otomanos. Povos que sempre cultivaram que o Estado tem um dever de proteger o mais fraco. No entanto, esse modelo de Estado nunca defende quem alega defender, e à excepção da Alemanha (se ignorarmos o capítulo negro da sua história) foi o único que teve sucesso com esse modelo. Todos os outros tem problemas crónicos de corrupção e instabilidade. Antes mesmos de termos nos tornado povo brasileiro, acreditávamos nessa elite que dizia defender o fraco mas na verdade defende o seu ego.

Quando os corporativistas assumem o poder beneficiam primeiro as suas famílias, depois os amigos e por último distribui migalhas que sobraram ao povo, sendo que na verdade quem financiou o Estado foi o povo através do pagamento de impostos. E o populista ainda ainda usa dessas migalhas para dizer que é amante dos pobres.

Com isso, a elite política e a elite económica estão completamente relacionadas. A troca de favores que leva à corrupção, protecionismo económico através de subsídios e benefícios fiscais aos corporativistas nacionais (que não cumpre o objetivo de permitir que empresas nasçam para no futuro poder competir com as empresas estrangeiras, mas proteger os amigos que lideram empresas) e para satisfazer o grosso da população através de uma função pública que ganha muito acima da média salarial para as suas funções. Isto faz que as desigualdades não se reduzam e o Estado concentre não só o poder político como o económico. O corporativismo leva a que o Estado seja governado por ladrões que defendem o seu próprio interesse e nunca se lembram de quem os elegeu.

Em que cabeça faz sentido que o funcionário público brasileiro viva muito melhor do que o trabalhador no privado? Em que cabeça faz sentido que qualquer político eleito no Brasil automaticamente faça parte dos 10% mais ricos? Em que cabeça faz sentido os juízes brasileiros estarem entre os 10 mais bem pagos do mundo? Em que cabeça faz sentido um BNDES ter investido mais capital que o Plano Marshall na Europa?

Quem financia isso é o trabalhador comum e o empresário honesto. Esse que desde que nasceu é defraudado com impostos que asfixiam qualquer vontade que ele tenha de empreender e emergir, que não sente o retorno por parte do Estado, com uma saúde, educação e transportes públicos de péssima qualidade. Sem falar na segurança pública brasileira e a sua justiça. Nem as funções básicas do Estado, o Brasil é capaz de cumprir a sua função.

Até quando o Brasil continuará assim? Urge uma revolução liberal pacífica no Brasil. Urge ser reescrita a constituição (que de cidadã nada tem) e a emergência de uma nova classe política que seja inviabilizada de ser favorecida pelas suas funções. Temos que caminhar pelos nossos próprios pés. Se não mudarmos, vamos continuar revivendo a nossa história de períodos de grande crescimento através de políticas populistas que acabam em crises cada vez piores que as anteriores.

Tem gente que acredita que os brasileiros não serão capazes de tal, continuaremos como eterna economia e potência promessa que não é capaz de cumprir o seu destino. Mas eu não, eu tenho fé nas minhas irmãs e irmãos de pátria cujos antepassados vieram de todo o mundo e construíram esse país do zero. Tenho fé nessas pessoas que saem de madrugada de casa para poder ir trabalhar, enfrentar ônibus lotado, filas enormes em qualquer estabelecimento público, ganha um salário paupérrimo e que continua acreditando no seu país e que será capaz de melhorar de vida. Tenho fé nesse empresário honesto e decente que não recorre à corrupção e está a beira da falência devido à uma carga fiscal e à uma crise que ele não teve culpa, mas faz das tripas coração para manter a sua empresa aberta e manter os postos de trabalho. Eu não acredito mais nos políticos brasileiros, mas no seu povo!

Tenho pena de estar longe e não poder ir para as ruas gritar #ForaTemer, #ForaLula, #ForaAécio. Urge todo o brasileiro ir para as ruas e dizer que não quer mais estes ladrões que sugam o tutano do brasileiro. Isto poderá ser uma oportunidade!

Eu não vou desistir do Brasil!

Matheus Costa

 

 

 

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2 comentários em “Brasil: Os cleptocratas no poder

  1. Urge o povo brasileiro a ter acesso as mesmas ferramentas que você teve para fazer esse análise. Somente com educação um povo é capaz de fazer abstração para sair da sua condição atual e encontrar soluções aos problemas que devem ser enfrentados. Bom artigo, mas peca ao escolher o velho atalho de que ninguém nunca faz nada quando se chega ao poder. Erra ao dizer que a constituição deveria ser substituída pois a atual foi espelhada de países socialmente ativos que funcionam. Pena é pensar que nós brasileiros encaramos a política como um circo e integramos no governo palhaços e fanfarrões. Não têm ferramenta, mas cabe a pessoas como você e eu de leva-las a cada vez que pomos em Terras de Vera Cruz ou a cada conversa com um patrício. Te desejo boa continuação e que consiga atingir as tuas metas.

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    1. Caro David, eu não sei que constituição é essa que refere sobre um colégio e uma ordem, em qual país cuja constituição tenha os mesmos erros e que tenha dado certo. Uma constituição completamente corporativista, longa e utópica que precisa, sim, ser substituída. E infelizmente é uma verdade que todos que chegam ao poder nada fazem. Vários dos grandes projetos de desenvolvimento do país foram pensados há décadas. É escandaloso o desvio das águas do S. Francisco já ter sido pensado no reinado de D. Pedro II. As coisas só saem do papel no Brasil com objetivos eleitorais e engordar as empresas de aliados. Eu não me iludo mais, é preciso renovar o poder político e económico com o risco de daqui a 10, 15 anos voltarmos a ver o mesmo espetáculo. É triste, mas é a nossa verdade.

      Curtido por 2 pessoas

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