O Que Eles Querem é Aparecer

mar e cos

E lá estavam eles, Ferro, Costa e Marcelo, depois de fecharem a tasca à nação  mais cedo, a receberem o Papa Francisco com honras de Estado numa visita que não era de Estado. O Costa até alertou o cronista que só poderia ficar a tomar conta dos seus filhos ( que amoroso!) pela manhã porque depois seguia para Fátima. Não podia falhar o encontro (ele que nunca vai à missa).   Um gesto aliás muito bonito de propaganda mas que mais uma vez soou a marketing puro (que rica novidade!). Então e os outros cidadãos à rasca sem terem onde pôr os filhos? Só servem para pagar impostos? Quem pensa nesses? (ninguém, claro!). Mas pronto,  e lá foi ele…  até porque não sendo um “Papa selfie” como nosso querido Presidente, estar ao lado deste símbolo da fé cristã é bonito  e quem sabe arrasta mais uns votos extra (duvido muito!).

Marcelo que deveria ter sido o único a comparecer porque a ele lhe cabe esse papel,  com o entusiasmo de um verdadeiro crente e homem de fé, não conseguiu moderar o abanar do braço de sua Santidade que quase esgaça sob o ar algo incómodo de Francisco que muito provavelmente se perguntava em silêncio, “já paravas, não?”, de tanta emoção sentida. Sentimentos genuínos de um homem verdadeiramente crente e católico praticante.  Estava, esse sim, no lugar certo.

Os outros dois,  ateus, agnósticos, laicos, hereges e maçons assumidos, a governarem em coligação com comunistas (alguém se lembra dos ataques à Igreja no PREC?), que defendem por um lado um Estado laico mas expropriam friamente a privados para financiar com dinheiros públicos  (algo inédito e nunca visto em relação a outras religiões)  a construção de uma mesquita em Lisboa, e portanto ligados a tudo quanto é luta contra esta prática religiosa, mostraram sem o querer e numa dimensão astronómica,  o quanto o ser humano pode ser hipócrita para manipular e construir uma imagem à custa, neste caso,  da religião. Sabendo eles da importância do Papa na vida dos católicos, em lugar sagrado como Fátima, estenderam a máquina eleitoral transformando um evento espiritual num circo mediático só para aparecer. Um nojo.

Nasci numa família profundamente cristã que todos os domingos se vestia a preceito para ir à missa sem falhar uma. Estudei em escolas católicas no Canadá e cá num colégio de padres.  Fui várias vezes a Fátima e em todas, sem saber porquê, a emoção tomou sempre conta de mim. Contudo à medida que fui crescendo não consegui segurar esta minha natureza crítica de quem não se conforma com o vê. Apesar de ser uma mulher de fé e profundamente espiritual, passei a questionar sem obter respostas que me levassem a consolidar a minha crença. Se hoje não sou praticante é por culpa dos homens da Igreja que teimam em encher o mundo mais de palavras que de acções. E tal como na política, não aceito a inércia de quem tem todo o poder mas não o usa como deveria em prol dos outros. Contudo, continuo fiel aos ensinamentos católicos que aplico no meu dia a dia escrupulosamente abominando toda a hipocrisia existente nos que se dizem praticantes e são simplesmente umas bestas.

Por isso, se não suporto num cristão este comportamento dúbio, revolto-me ainda mais quando vejo os políticos de velinha na mão e nas missas do Santo Padre! Porque Fátima, meus senhores,  não é o lugar dos que passam o tempo a atacar os católicos, que gozam com suas crenças, que não respeitam a sua devoção. Fátima é um lugar de fé, de culto onde não há espaço para quem não sente e vive em Deus. Estar nos dois lados é estar em nenhum.

E sinceramente, se tivessem só um poucochinho de vergonha faziam de tudo para não aparecer.

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9 comentários em “O Que Eles Querem é Aparecer

  1. Obrigado, Cristina.

    E diga-se também que assistimos ao desejo de um Papa peregrino ser desrespeitado em não cumprido, em nome de uma classe política mediática. Aí esteve muito pior Marcelo, cuja auto-anunciada devoção perdeu uma excelente oportunidade de estar calada para não expor toda a sua hipocrisia. Já da dupla Ferro-Costa se possa compreender que o seu ateísmo confesso lhes permitisse a apropriação da oportunidade criada pela visita papal.

    Mas vai também a critica para Francisco e as estruturas eclesiásticas. Bem como mais um achega ao Marcelo:

    É sempre “bonito” ver o Papa a chegar ou a sair do avião com abraços, beija-mãos, sorrisos e palavras especiais para as elites que lhes esperam, com o povo por detrás do arame a merecer um simples aceno de mão. Parece bem do ponto de vista protocolar, mas fica a pergunta onde estava então o tal Papa Peregrino? Aquele que vi foi o Papa Visita De Estado.

    Ficaria bem ao Papa Francisco reflectir sobre isto. E fica a seguinte pergunta ao Presidente da República: Onde esteva então a sua praxis anti-protocolar? Fica a minha resposta, já que dele nunca ouvirei nada: Meteu-a num saco, como sempre o faz. Porque bem sabemos que ela não existe como honesta e legitima, mas isso sim como estratégia política populista.

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  2. Lamento sinceramente este tipo de comentários ainda por cima quando partem de alguém que se diz católico embora com dúvidas.Penso que não ouviram totalmente p papa Francisco: a sua mensagem foi ùnica e exclusivamente de paz e amor; isso é o catolicismo autentico.Deus criou o mundo para todos e não só para alguns.Obrigado papa Francisco que tanto tem lutado por espalhar o AMOR

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    1. Manuel Fortuna, espero dizer-lhe o seguinte de uma forma que magoe muito.

      Mensagens de paz e amor vindas de Papas, são tão protocolares como a sua visita o foi. Não se esperava outra coisa. Nada de novo. Mas a minha critica vai isso sim para a sua acção pouco peregrina. E tenho a certeza, se ele pudesse ouvir a critica, estaria mais aberto ao diálogo do que vir para aqui dar-me ares de insultado ou incompreendido.

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  3. Também sou um homem de fé e por isso, jamais entrarei em confronto de opiniões, vindas elas de quem quer que sejam. Os ateus, os homens de fé, padres, freiras, bispos e todos os que representem qualquer outra religião , resumam-se à sua insignificância, perante um Homem de coração puro e aberto, cuja missão na terra é concretizar o desejo de unir pelo bem comum, todos os seus semelhantes. Sigamos os seus passos, respeitemos a sua vontade e o Mundo será naturalmente melhor, porque menos egoísta e mais sensível aos problemas daqueles que sofrem por serem diferentes. O Papa Francisco, personifica e representa por pura vocação, os Homens Bons e pede aos maus que se resignem para o bem da Humanidade tão carente de amor, humildade e fraternidade.

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    1. Que visão e conceito tão beato e maniqueísta, básico: homens bons, endeusados, divinos, papas e demais santidades cheios da ‘verdade’ versus homens maus, ímpios e pecadores que necessitam de punição e salvação. Que mundo a preto e branco tão religioso, tão católico, tão cheio de redondas, doces e moralmente correcto de certezas papais. Religiosas. Tão simplista e tão irrealista.
      Por isso muitas das palavras deste e de outros papas, cheiram a mofo, hipocrisia e jactância moral. Muitas vezes em profunda contradição com os seus actos, omissões e, já agora, cobardias. Poupem-nos à catequese e ao dogmatismo.

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