Ser Diferente

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Desde que sou capaz de raciocinar estas coisas, tenho noção que sou muito diferente da generalidade das pessoas.

Quando era criança reparei que nem sempre poderia professar livremente a minha fé, visto que incomodava (e ainda incomoda) muita gente. Mais tarde descobri que era parte do que se pode ser chamado minoria religiosa (e sim, detesto o termo religião porque pode dar azo à hipocrisia e ao conflito, preferindo antes confissão).

Por acaso, sou cidadão de Estados em que a nível cultural não existe distinção étnica (no máximo grandes grupos de pigmentação), mas antes uma nação ou nacionalismo. Desse modo, não me preocupava o quão miscigenado era. Descobri que por mais que todos nós fossemos uma amálgama de etnias, pelos relatos familiares eu era excepcionalmente misturado. Além do mais, na minha família parece que a migração voluntária (e até involuntária) é regra geracional. Antepassados que migraram para o Brasil e os meus pais que migraram para a Europa. Isto, durante algum tempo na minha adolescência, assustou-me. Se alguém perguntar a que grupo me enquadro, não sei o que responder. No Brasil foi criado um conceito que é pardo, mas não gosto do termo porque me faz lembrar o urso.

Com isto, comecei a ter uma postura submissa de não querer irritar a “maioria”. Afastei-me da agenda da esquerda, porque vi que aquela agenda de progressismo populista na verdade irritava as pessoas e a nível prático em nada mudava o meu dia a dia. Tudo era feito para agradar grupos que se acham (ou foram levados a achar) minoria desfavorecida – sem falar que na agenda económica sempre fui a favor do capitalismo – ou seja, o objetivo final era apenas o voto e não mudar as coisas. Apenas restou a direita conservadora portuguesa. Não queria irritar ninguém (como se fosse possível tal).

O que reparei foi que as pessoas são levadas a irritar. O maior trunfo do populista é fazer o cidadão incauto pensar que ele não tem culpa de nada, que ele é a vítima. Impera culpar o outro, há que dividir a população e fazer que grupos se odeiem. Quando percebi isso, vi que na verdade não importava ser diferente, todos somos. Afinal, “A maior minoria na Terra é o indivíduo” (Ayn Rand). E também descobri que fui mal ensinado sobre o liberalismo, tinha sempre um pouco de vergonha de me identificar com tais princípios. Quando investiguei por mim próprio, vi que oportunamente ninguém fala sobre o sistema social liberal. Não dá jeito ensinar estas posições, há que mostrar o lado radical do liberalismo, mas sempre mostrar, apenas e só apenas, os lados moderados dos socialistas, sociais democratas e conservadores. Não dá jeito ensinar que quem criou o moderno Estado Social Britânico foi o Partido Liberal. O Estado paizinho é que é fixe, não permite a ascensão social, mantém as dinastias sociais e diz que se responsabiliza porque atira dinheiro pela janela para os mais desfavorecidos. O Estado paizinho só serve para manter o interesse dos grandes corporativistas, o pequeno e médio corporativista que foge aos impostos e tem uma péssima produtividade e expulsar o empresariado competitivo e inovador e destruir a meritocracia.

Com isto, descobri que para estar integrado não preciso ser igual à generalidade ou agradar alguém, mas ser igual a mim mesmo e saber compreender a diferença do outro. É difícil para algumas pessoas perceberem isto. Eu não tenho que ter as mesmas vivências e os divertimentos que todas as outras pessoas tem ou tiveram em certa idade. Se toda a gente se diverte com algo, tenho direito a não me divertir com tal e até a não gostar. Tenho direito a ter uma posição que possa desagradar a todos (desde que não desrespeite ninguém). E querer fazer que eu ou outros sigamos esse estilo de vida não é proteger, é prender. Um dos meus maiores apelos é, parem de querer proteger o outro, na verdade estão a prender. Se o seu valor é que está correto a pessoa vai perceber isso por ela própria. E neste aprisionamento, o que mais vejo é gente que chega à vida adulta emocionalmente frágil, incapaz de assumir os próprios erros, incapaz de compreender o outro e de enfrentar desafios e críticas. A sociedade está a criar vítimas fáceis de populistas e extremistas.

Cada vez estou mais convicto que não querem que se aprenda que devemos nos orgulhar e respeitar em sermos TODOS diferentes uns dos outros, pois é isso que afirma a nossa identidade e valores individuais. Promover o discurso de defender as minorias é o mesmo que manter vincado separações sociais e não integrar as pessoas. É faze-las seguir um pensamento e não o seu próprio pensamento. Temos que defender o indivíduo. Ser diferente e minoria não é excepção, é regra.

Matheus Costa

 

 

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