A 3ª Via ainda funciona?

macron

No dia 23 de Abril de 2017, duas houve duas “Franças” em jogo: A europeísta, liberal e que acredita na economia de mercado, e uma outra França, a do séc.XIX: proteccionista, fechada sobre si própria e anti-europeísta. A palavra “europeísta” é muito usada actualmente, mas poucos explicam ou desenvolvem o raciocínio, é muito fácil dizer que sou europeísta ou anti-europeísta se não digo porque, ora, nós temos um histórico na Europa de guerras constantes antes do aparecimento da ideia da UE, houve poucos períodos de paz, a Europa é um manto de retalhos, ninguém dentro do seu próprio País, como na Itália, se tolera por vezes, temos o norte e o sul sempre em climas de tensão. Portugal nesse ponto ganha a todos, somos uma nação com as fronteiras mais bem definidas e antigas da Europa, podemos-nos orgulhar disso, e é por isso que a UE é tão precisa, para juntar uma Europa sempre desunida e com climas de tensão entre povos. A livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas foi essencial para o crescimento  económico dos Países, mas serviu igualmente para reforçar a entidade liberal que é a UE, com os seus defeitos já conhecidos e que tem que melhorar, como excesso de burocracia e regulamentações. Ser europeísta é ser tolerante para quem nos é tolerante, é ser aberto, cosmopolita e com respeito pelas liberdades individuais e pela propriedade alheia e privada. Os anti-europeístas, tem todo o direito de o ser, mas quando são financiados pela Venezuela ou pela Rússia, como Marine Le Pen, estão ao serviço de outras agendas sem ser exclusivamente as suas. São estes que lançaram as guerras do passado, o nacional-socialismo, vulgo nazismo, é de extrema-esquerda, Mao Tse Tung mandou matar milhões de pessoas, Nicolás Maduro hoje destrói um País condena maioria à miséria. Isto são inimigos da liberdade e do desenvolvimento, que não toleram a liberdade de expressão nem respeitam os resultados eleitorais, só quando lhes é favorável, são anti-europeístas. Podia dizer muito mais, mas os resultados dos anti-europeístas são bem visíveis, olhai para a os camaradas da Coreia do Norte ou para o passarinho Maduro.

A França escolheu na primeira volta, dois candidatos distintos, o ex-Banqueiro e Ministro da Economia de Hollande, Emmanuel Macron, com 39 anos. É um liberal social, ou social democrata mais para a direita, resumindo, é de esquerda com o socialismo na gaveta. Marine Le Pen tem o socialismo na cara, o seu programa económico podia ser o de Catarina Martins, mas ficou em segundo lugar, o que demonstra que as coisas não estão bem, veremos daqui a 5 anos. Marine pode ter razão numa questão, na parte da imigração, a França está a tornar-se um caldeirão do islão, e as suas práticas estão a ficar mais perigosas e a criar um sentimento generalizado de medo, defacto temos aqui um problema a resolver, não sei se Macron vai ter mão firme nisto, se não tiver e a situação se agravar, na próxima eleição presidencial Marine Le Pen tem as portas abertas, pois podem ver que Macron pode ser mais do mesmo, como diz o nosso povo. Se Macron tiver mão firme e reformar a economia francesa, e com resultados, podemos estar prestes a conhecer uma reconfiguração do mapa político francês, com os “independentes” a terem sucesso, os partidos tradicionais podem-se transformar numa espécie de BE e PCP em Portugal, engolem sapos e dizem que sim.

Os extremos em França, Le Pen+ Mélenchon somaram ambos quase 44% dos votos, é uma análise que não conta no sentido que não se pode fazer geringonças entre candidatos, mas a parte da população que votou, quase metade é exemplificativo de como as coisas se podem tornar perigosas no futuro e não podemos relativizar. O liberalismo ainda não ganhou a batalha, mas está próximo. Aliás, mais um Partido socialista se eclipsou na Europa, com Hamon a ter 6,9% dos votos, a crise do socialismo europeu está na base de estes se terem aproximado dos extremos, o caso Português é diferente(num outro artigo explico), e agora estarem a desaparecer. O socialismo só se salva se agarrar o que sempre agarrou, a tese do liberalismo envergonhado, ou a 3ª via, em que estes fazem reformas e controlam os orçamentos e ganham eleições. Já não é assim, e se eles não o querem ainda bem, o liberalismo verdadeiro que venha em força e colonize a Europa de vez, os Europeus não conhecem a verdadeira liberdade.

Notas finas, Macron tem um partido recente em França, e a mesma tem eleições legislativas em Junho, não será plausível que Macron as ganhe ou até ganhe com maioria, terá que fazer acordos com a direita dos republicanos, com Le Pen e com o PS, se até lá existir. Este cenário de fragmentação política é o pior para a estabilidade, especialmente para quem quer implementar reformas, podemos estar perante um bloqueio institucional. Todos lhe querem ver pelas costas, mas vamos ver se Macron tem a diplomacia necessária para lhes passar por cima, o primeiro passo será eleger Nicolas Sarkozy para Primeiro-Ministro Francês, um desastre, mas é a única maneira de controlar o parlamento, veremos.

P.S: Aproveito para dizer que o PortugalGate tem uma nova colaboradora e editora, Cristina Miranda do Blasfémias. Em conjunto com o fundador e editor Mauro Pires, vamos tentar fazer crescer a equipa para continuar a informar verdadeiramente!

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